Política

Receita aponta repasses de 80 milhões do Banco Master a escritório ligado à família de Alexandre de Moraes

Documentos da Receita Federal indicam pagamentos elevados ao escritório da esposa do ministro do STF, ampliando repercussão sobre contratos com o Banco Master

Novos documentos da Receita Federal revelam que o Banco Master realizou repasses milionários ao escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. As informações foram encaminhadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o caso envolvendo a instituição financeira.

De acordo com os dados, somente em 2024, foram transferidos cerca de R$ 40 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Os valores constam em declarações fiscais do próprio banco, cujo sigilo foi quebrado no âmbito da investigação. 

Entretanto, ao considerar o período mais amplo de prestação de serviços, estimativas apontam que os repasses podem ultrapassar R$ 80 milhões. Esse montante corresponde a aproximadamente 22 meses de contrato, com pagamentos mensais na casa de R$ 3,6 milhões. 

Contrato previa valores ainda maiores

O acordo firmado entre o Banco Master e o escritório tinha duração prevista de 36 meses, podendo alcançar cerca de R$ 129 milhões ao final do período. No entanto, o contrato foi interrompido antes do prazo após a liquidação da instituição financeira pelo Banco Central, em meio a investigações sobre irregularidades.

Segundo o escritório, os serviços prestados incluíram consultoria jurídica ampla, com produção de pareceres, reuniões estratégicas e atuação em temas como compliance, regulação e governança corporativa. Ao todo, foram relatadas dezenas de reuniões e a elaboração de 36 pareceres técnicos. 

Questionamentos e defesa

Os valores elevados chamaram a atenção de parlamentares e investigadores. Durante a CPI, houve questionamentos sobre a proporcionalidade entre os serviços prestados e os montantes recebidos.

Por outro lado, o escritório afirma que atuou dentro da legalidade, destacando a complexidade dos serviços e a participação de uma equipe multidisciplinar de advogados. A defesa também ressalta que não houve atuação em processos no Supremo Tribunal Federal envolvendo o Banco Master.

Além disso, representantes do escritório criticaram a divulgação de dados fiscais, classificando parte das informações como incompletas ou obtidas de forma irregular.
Contexto do caso

O Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, entrou no centro das investigações após suspeitas de fraudes financeiras que levaram à sua liquidação. O caso passou a ser analisado por diferentes órgãos, incluindo o Congresso Nacional, ampliando o debate sobre contratos privados envolvendo figuras públicas ou seus familiares.

Com o avanço das investigações, a CPI deve concluir seus trabalhos com um relatório final que pode apontar responsabilidades e recomendar medidas adicionais às autoridades competentes.

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