Política

Lulinha já foi alvo da Lava Jato e da CPI dos Correios, mas nunca se tornou réu

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou ao centro do debate político e jurídico após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de uma investigação da Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Embora a nova investigação tenha reacendido questionamentos sobre sua atuação empresarial, esta não é a primeira vez que Lulinha é alvo de apurações. Ao longo das últimas duas décadas, ele foi investigado em diferentes frentes, incluindo a CPI dos Correios, em 2005, e a Operação Lava Jato. Em nenhuma dessas ocasiões, porém, chegou a se tornar réu na Justiça.

A primeira grande polêmica envolvendo o empresário surgiu durante o escândalo do mensalão. À época, parlamentares da oposição questionaram o rápido crescimento da empresa Gamecorp, da qual Lulinha era sócio. A companhia recebeu um aporte milionário da Telemar (atual Oi), empresa que possuía participação indireta de fundos de pensão de estatais. O negócio motivou questionamentos na CPI dos Correios, mas não resultou em denúncia criminal contra o empresário.

Anos depois, Lulinha voltou a ser investigado na Operação Lava Jato. As apurações buscavam verificar suspeitas relacionadas a contratos e movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao empresário. Entretanto, o inquérito acabou sendo arquivado em 2022, após decisões do Supremo Tribunal Federal que reconheceram a parcialidade do então juiz Sergio Moro em processos da Lava Jato. Durante todo o período, a defesa de Lulinha negou qualquer prática ilícita.

Agora, a Polícia Federal investiga se o empresário teria utilizado sua influência para facilitar o acesso de um lobista a integrantes do Ministério da Saúde em negociações envolvendo medicamentos à base de cannabis medicinal. A autorização para a investigação foi concedida por André Mendonça, mas o caso ainda está em fase inicial e não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem acusação formal contra Lulinha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que o filho não receberá qualquer tratamento diferenciado em razão do parentesco. Segundo o presidente, caso tenha cometido alguma irregularidade, deverá responder perante a Justiça como qualquer cidadão. A defesa de Lulinha, por sua vez, afirma que as suspeitas são infundadas e classifica a investigação como uma tentativa de promover uma “fishing expedition” (investigação especulativa), reiterando que o empresário jamais foi condenado ou se tornou réu nos casos anteriores.

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