Política

Senado derruba norma do Conanda sobre aborto legal em menores vítimas de estupro; entenda o que muda

O Senado Federal aprovou nesta semana um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que anula uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) responsável por estabelecer diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que buscassem o aborto legal no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi aprovada em votação simbólica e seguirá para promulgação, sem necessidade de sanção presidencial.

Apesar da derrubada da resolução do Conanda, a legislação brasileira não foi alterada. O aborto continua permitido nos casos já previstos em lei: quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco de vida para a gestante e nos casos de anencefalia fetal reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal.

O que foi revogado não foi o direito ao aborto legal, mas as regras administrativas que orientavam como crianças e adolescentes deveriam ser atendidas pelos serviços públicos de saúde.

Entre os principais pontos estavam:

  • Atendimento prioritário e sem discriminação;
  • Acesso a informações adequadas à idade da vítima;
  • Encaminhamento imediato aos serviços especializados;
  • Garantia de sigilo durante o atendimento;
  • Escuta especializada da criança ou adolescente;
  • Medidas para evitar a revitimização;
  • Obrigação do poder público de custear deslocamentos quando não houvesse atendimento disponível no município.

A resolução também previa situações em que a manifestação da vontade da menor pudesse ser considerada mesmo sem autorização prévia dos responsáveis legais, ponto que gerou forte reação de setores conservadores e de parlamentares favoráveis à derrubada da norma.

Especialistas apontam que o principal impacto será a ausência de um protocolo nacional unificado para orientar hospitais, conselhos tutelares e demais órgãos responsáveis pelo atendimento dessas vítimas.

Na prática, cada município e unidade de saúde poderá adotar procedimentos próprios, desde que respeitem a legislação vigente. 

Para a senadora Damares Alves, relatora da proposta no Senado, o Conanda extrapolou suas atribuições ao criar normas que, segundo eles, deveriam ser debatidas e aprovadas pelo Congresso Nacional.” afirmou.

Setores conservadores comemoram o que classificam como uma vitória do poder familiar e das prerrogativas do Congresso, organizações de proteção à infância alertam para o risco de que crianças vítimas de estupro encontrem mais obstáculos para acessar um direito já previsto na legislação brasileira.

Comentários: