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Roupa Nova completa 46 anos e mantém viva uma história que atravessa gerações

Há músicas que passam pelo rádio e são facilmente esquecidas. Outras, passam a fazer parte da vida das pessoas e transforma o gosto musical de muitas gerações. O Roupa Nova pertence à segunda categoria.

Nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, a banda celebra 46 anos de uma trajetória marcada por grandes sucessos, shows lotados, trilhas sonoras inesquecíveis e uma relação construída ao longo de gerações com o público brasileiro.

Criado no Rio de Janeiro em 1980, o grupo nasceu a partir de uma trajetória que começou antes mesmo do nome Roupa Nova. Os músicos passaram pelo universo dos bailes e chegaram a atuar sob o nome Os Famks. Foi justamente essa experiência de palco que ajudou a construir a identidade musical que posteriormente se tornaria conhecida em todo o país.

A mudança de nome aconteceu em 1980, quando o grupo foi convidado a gravar um tema de fim de ano para a Rádio Cidade. O produtor Mariozinho Rocha sugeriu o nome Roupa Nova, que acabou se tornando uma das marcas mais reconhecidas da música brasileira.

Ao longo das décadas, o Roupa Nova construiu um repertório que ultrapassou gerações. “Dona”, “Whisky a Go-Go”, “Volta pra Mim”, “Anjo”, “Seguindo no Trem Azul”, “Linda Demais”, “Coração Pirata” e “A Viagem” são apenas alguns dos sucessos que continuam presentes na memória do público.

Mas existe uma característica que ajudou a transformar a banda em um fenômeno ainda maior: sua presença na televisão.

O Roupa Nova se tornou recordista em trilhas sonoras de novelas. A primeira participação aconteceu ainda em 1980, com “Canção de Verão”, na novela As Três Marias. A partir daí, vieram inúmeras outras músicas que passaram a se confundir com personagens, romances e histórias da televisão brasileira.

“Dona”, por exemplo, ficou eternizada em Roque Santeiro. “Whisky a Go-Go” marcou a abertura de Um Sonho a Mais. “Coração Pirata” esteve em Rainha da Sucata, enquanto “A Viagem” se tornou tema da novela homônima exibida em 1994.

A importância do grupo para a televisão brasileira vai ainda além das novelas. O Roupa Nova participou da gravação do conhecido Tema da Vitória, além de trabalhos relacionados ao Xou da Xuxa, Vídeo Show e ao Rock in Rio.

Seis músicos que construíram uma identidade

Durante quatro décadas, uma das maiores marcas do Roupa Nova foi a estabilidade de sua formação.

Fizeram parte da formação histórica Cleberson Horsth, Ricardo Feghali, Kiko, Nando, Serginho Herval e Paulinho. O grupo chegou a ser apontado pelo próprio site oficial como uma banda que manteve a mesma formação desde o início durante 40 anos.

Hoje, a formação conta com Cleberson Horsth nos teclados, Ricardo Feghali nos teclados e instrumentos complementares, Kiko nas guitarras, Nando no baixo, Serginho Herval na bateria e Fábio Nestares nos vocais e percussão.

A chegada de Fábio aconteceu após uma das maiores perdas da história do grupo.

A saudade de Paulinho

Em dezembro de 2020, o Roupa Nova perdeu Paulinho, um dos principais vocalistas e percussionistas da banda. Ele morreu aos 68 anos, após complicações do tratamento contra um linfoma.

A ausência de Paulinho mudou para sempre a história do grupo. Pela primeira vez em quatro décadas, a formação precisou ser alterada.

Fábio Nestares, que já havia substituído Paulinho eventualmente em apresentações, passou a integrar oficialmente a banda em 2021. A escolha permitiu que o grupo continuasse sua trajetória sem apagar a importância daquele que durante tantos anos emprestou sua voz e sua personalidade às canções.

É justamente esse sentimento que aparece na homenagem publicada nesta quarta-feira pela página Roupa Nova Vive, que afirma ter nascido após a partida de Paulinho, “em meio à saudade”, mas também com o desejo de fortalecer o amor pela história da banda.

A publicação presta uma “eterna gratidão” a Serginho Herval, Nando, Kiko, Ricardo Feghali, Cleberson Horsth, Fábio Nestares e ao inesquecível Paulinho, lembrado por sua voz, seu talento e sua marca na história do grupo.

Uma história que continua conquistando jovens

Se durante muito tempo o Roupa Nova foi associado principalmente às gerações que cresceram ouvindo a banda nos anos 1980 e 1990, a história ganhou um novo capítulo com a chegada das plataformas digitais.

Em entrevista ao gshow, Cleberson Horsth destacou que atualmente uma parcela significativa do público também é formada por jovens que conheceram as músicas por meio dos pais e avós ou simplesmente passaram a admirar o repertório da banda.

Esse talvez seja um dos maiores símbolos da longevidade do Roupa Nova.

Uma música lançada há décadas pode continuar sendo descoberta por alguém que sequer havia nascido quando ela chegou às rádios. É assim que “A Viagem”, “Dona”, “Whisky a Go-Go”, “Anjo” e tantas outras canções continuam encontrando novos ouvintes.

O site oficial informa que o grupo já ultrapassou 20 milhões de discos vendidos, possui 38 álbuns lançados e soma 35 temas de novelas. A banda também conquistou um Grammy Latino pelo álbum Roupa Nova em Londres, gravado nos estúdios Abbey Road, na Inglaterra.

46 anos depois, o público continua cantando

Em 2026, a banda segue na estrada com a turnê “Simplesmente Roupa Nova”, que revisita grandes sucessos e aposta na proximidade com o público. A agenda recente mostra que a relação com os fãs permanece forte, reunindo pessoas que acompanham o grupo desde os primeiros anos e novas gerações que descobriram suas músicas posteriormente.

Mais do que contabilizar discos, novelas, prêmios ou décadas de carreira, celebrar os 46 anos do Roupa Nova é lembrar de uma banda que conseguiu algo raro: permanecer presente na memória afetiva de diferentes gerações.

Para muitos brasileiros, uma música do Roupa Nova não é apenas uma música. É uma lembrança de uma época, de uma pessoa, de um amor, de uma novela, de uma viagem, de uma festa ou simplesmente de um momento da vida.

E talvez seja justamente por isso que a mensagem publicada pela Roupa Nova Vive resume tão bem o sentimento dos fãs:

46 anos de Roupa Nova. Uma história que continua. Um amor que permanece.

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