Política

Mendonça diz ter sido alertado sobre represálias após levar adiante informações da PF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (17) que foi alertado sobre a possibilidade de sofrer represálias caso levasse adiante informações recebidas da Polícia Federal. Segundo o magistrado, os avisos teriam ocorrido de forma “implícita e explícita” e incluíam a possibilidade de ataques contra ele e pessoas próximas.

A declaração ocorre em meio à crise envolvendo integrantes do STF e a Polícia Federal, após Mendonça tornar público um relatório relacionado às investigações do caso Banco Master. O documento reúne informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e inclui referências ao ministro Alexandre de Moraes.

“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias”, afirmou Mendonça, acrescentando que, apesar dos alertas, pretende continuar exercendo suas funções.

O ministro também declarou que não tem “nada a temer” e que seguirá atuando “com serenidade e responsabilidade”. Ao comentar as críticas e ataques que afirma ter recebido, Mendonça citou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer para argumentar que ataques pessoais podem ser utilizados como estratégia para desviar o debate de uma questão.

A declaração ocorre após uma série de decisões e acusações envolvendo Mendonça, Alexandre de Moraes e a Polícia Federal.

No início de setembro, Mendonça havia determinado o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro afirmou ter identificado indícios relacionados à produção de relatórios de inteligência que analisavam sua atuação e suas decisões.

Segundo Mendonça, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto e tinham como foco sua atuação. Ele classificou o episódio como um suposto monitoramento sistemático realizado pela inteligência da PF.

Os documentos, contudo, são descritos pela própria PF como relatórios de inteligência sem valor probatório. A investigação deverá esclarecer quem determinou a produção do material, quem participou da elaboração e em quais circunstâncias os documentos foram produzidos.

O caso ganhou novos contornos depois que Moraes divulgou informações de relatórios que questionavam a atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Sem Desconto.

Mendonça, por sua vez, sustenta que as informações recebidas da PF deveriam ser analisadas e levadas adiante, apesar das advertências que afirma ter recebido.

O episódio mantém aberta uma crise institucional envolvendo ministros do Supremo e integrantes da Polícia Federal, enquanto as circunstâncias da produção e circulação dos relatórios ainda são objeto de apuração.

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