Política

Sessão do STF termina sem decisão sobre Moraes e não estanca desgaste político em Lula

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), realizada nesta terça-feira (15), terminou sem uma definição sobre a abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Caso Master. O julgamento foi interrompido com o já esperado pedido de vista do ministro Flávio Dino, adiando novamente uma decisão sobre o caso.

O resultado, porém, deixou marcas no plenário. Antes da interrupção, os ministros analisaram uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para que os casos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça fossem julgados conjuntamente. A proposta acabou rejeitada por 4 votos a 3.

A votação contrariou a articulação para reunir os processos e mostrou que Moraes não conseguiu formar maioria em torno da estratégia apresentada durante a sessão. Fachin e Cármen Lúcia estiveram entre os votos contrários à questão de ordem.

O pedido de vista de Dino suspendeu a análise e levou a decisão para outro momento. Na prática, o Supremo encerrou uma sessão convocada para tratar de um assunto de grande repercussão sem responder a nação a principal questão: se haverá ou não investigação sobre as mensagens envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

No entanto, o episódio não se limita ao ambiente interno do Supremo. A crise envolvendo Moraes ocorre em um momento politicamente embaçado para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, que teve uma sua eleição de 2022, sua imagem atrelada ao ministro, com decisões contra seu opositor Jair Bolsonaro.

Ainda mais, a relação entre o governo e setores do STF passou a ser alvo de críticas de adversários do presidente, especialmente diante da percepção de proximidade política entre integrantes do governo e ministros da Corte, tratado carinhosamente como Xandão.

Embora Lula não seja parte do julgamento, o desfecho da sessão atinge o ambiente político ao redor do presidente. A falta de uma solução definitiva para o caso Moraes mantém o assunto em evidência e prolonga uma crise que o governo provavelmente não conseguirá administrar às vésperas da eleição.

Nos bastidores, integrantes do próprio governo reconheceram que Moraes saiu enfraquecido da sessão, segundo. A avaliação citada pela publicação é de que a falta de maioria na primeira votação representou uma derrota para o ministro e seus aliados no Supremo.

Enquanto o pedido de vista adiou a conclusão, permanecem no centro da discussão as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, e o pior, segundo ministro André Mendonça, tem coisa pior para ser revelado.

O resultado é que o Supremo termina a sessão sem esclarecer definitivamente a situação de Moraes. O caso agora permanece em aberto, enquanto a pressão política e institucional continua.

Para Lula, o episódio acrescenta mais um problema ao cenário político. Para Moraes, a votação de 4 a 3 evidencia que não houve unanimidade, nem maioria em torno da tentativa de reunir os processos.

A decisão definitiva sobre uma eventual investigação, portanto, ficou para uma próxima etapa e durante a eleição, vai está evidente que será usado como elemento gastador da imagem do governo.

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