Após paralisação, bancários ameaçam greve por tempo indeterminado na Bahia
A paralisação de 24 horas realizada pelos bancários na Bahia na última quinta-feira (20) pode ser apenas o início de uma suspensão prolongada dos serviços. Diante da falta de avanços nas negociações com os bancos, o Sindicato dos Bancários da Bahia (SBBA) admite deflagrar uma greve por tempo indeterminado caso não seja apresentada uma proposta considerada satisfatória.
A possibilidade foi confirmada pelo presidente do órgão, Elder Perez. Segundo ele, a paralisação realizada na quinta-feira teve forte adesão no estado e aumentou a pressão sobre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Uma nova rodada de negociações está prevista para começar na segunda-feira (24), com reuniões programadas diariamente até sexta-feira.
De acordo com o sindicato, a mobilização de quinta-feira foi a maior realizada até agora na atual campanha salarial envolvendo, simultaneamente, bancos públicos e privados. Em Salvador, todas as unidades da Caixa Econômica Federal teriam sido fechadas, enquanto o Banco do Brasil registrou forte adesão. No Banco do Nordeste, apenas uma agência teria permanecido em funcionamento na capital, segundo Perez.
A categoria reivindica reajuste salarial, aumento real, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), melhorias nos vales-alimentação e refeição, além da criação de um piso específico para trabalhadores da área de Tecnologia da Informação.
Os bancários também cobram mudanças relacionadas às condições de trabalho, incluindo medidas contra metas consideradas abusivas, redução das desigualdades salariais e investimentos em qualificação profissional.
A proposta apresentada pela Fenaban foi rejeitada amplamente pelos sindicatos. Na base do Sindicato dos Bancários da Bahia, 97,48% dos trabalhadores rejeitaram a proposta, enquanto 97,38% aprovaram a paralisação de 20 de agosto. O Sindicato dos Bancários de Camaçari também registrou forte rejeição: 92,50% foram contrários à proposta e 97,50% aprovaram a paralisação.
Segundo Elder Perez, foram realizadas diversas rodadas de negociação, mas os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial que atendesse às expectativas da categoria. O sindicalista também criticou propostas que, na avaliação do sindicato, poderiam provocar diferenças de reajuste conforme a faixa salarial e regionalizar benefícios sem critérios suficientemente claros.
Outro fator que coloca pressão sobre a negociação é a data-base dos bancários, marcada para 1º de setembro.
Perez afirma que a categoria teme perder direitos caso não haja um acordo até o início do mês. O sindicalista também citou o fim da chamada ultratividade como uma preocupação para os trabalhadores.
“Agora, se não sair, acho que o movimento tende a aumentar, e, para uma paralisação total”, afirmou o presidente do sindicato ao BNews.
A eventual greve não significaria apenas o fechamento de agências. Segundo o sindicato, a estratégia poderia envolver a suspensão de atividades como venda de produtos bancários, cumprimento de metas e realização de operações.
Fechamento de agências também preocupa
Além da campanha salarial, os bancários baianos colocam na mesa outro problema: a redução da rede física de atendimento.
Dados apresentados pelo Sindicato dos Bancários da Bahia apontam que o estado possui atualmente 735 agências bancárias. Entre janeiro e julho deste ano, houve redução líquida de 21 unidades, enquanto 2025 terminou com 46 agências a menos. O número de trabalhadores do setor também caiu: somente no primeiro semestre de 2026, foram eliminados 259 postos de trabalho bancário na Bahia.
O sindicato afirma que o fechamento de agências é especialmente preocupante em municípios onde existe apenas uma unidade, principalmente por atingir idosos, moradores da zona rural e pessoas com dificuldades de acesso à internet.
Próxima semana será decisiva
Com uma nova rodada de negociações marcada para começar na segunda-feira (24), os próximos dias devem ser decisivos para definir o futuro da campanha salarial dos bancários.
Por enquanto, não existe uma greve por tempo indeterminado oficialmente deflagrada. O que existe é a ameaça de ampliação do movimento caso os bancos não apresentem avanços nas negociações.
A depender do resultado das reuniões, a categoria poderá decidir entre aceitar uma nova proposta, manter mobilizações pontuais ou partir para uma paralisação mais abrangente e sem prazo definido.
A tensão aumenta justamente na reta final antes da data-base de 1º de setembro, colocando bancos e trabalhadores diante de uma semana decisiva para evitar que a disputa salarial evolua para uma greve de maiores proporções.

