Política

Mensagens de Vorcaro expõem proximidade de Lula e Jaques Wagner com o Banco Master

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, apontam para uma relação mais frequente entre o banqueiro e Lula, dando um contraponto à versão apresentada pelo presidente até agora.

Os diálogos foram apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e seus negócios. Segundo os registros analisados pela PF, os contatos não teriam se limitado a um encontro isolado, mas envolveriam troca de mensagens, presentes, recados e articulações com pessoas próximas ao presidente Lula e ao senador Jaques Wagner (PT-BA).

 Uísque de presente

De acordo com um relatório da PF baseado em mensagens do advogado Walfrido Warde, apontado como intermediário de Vorcaro junto a Lula, houve novo contato entre os envolvidos após um encontro ocorrido no fim de 2024.

Em janeiro de 2025, Warde teria informado a Daniel Vorcaro que havia se encontrado com Lula naquele dia. Segundo a mensagem, o presidente teria perguntado como o banqueiro estava, enviado um abraço e agradecido novamente por uma garrafa de uísque Macallan.

O episódio chama atenção porque a Presidência da República nega que Lula tenha recebido presente de Vorcaro. A mensagem, entretanto, consta do material analisado pela Polícia Federal e descreve o episódio de forma direta.

Dois meses depois, em março de 2025, Walfrido Warde teria voltado a informar Vorcaro sobre uma possível nova reunião com Lula, desta vez com a participação de Jaques Wagner.

Jaques Wagner e interesses do Banco Master

As mensagens também colocam Jaques Wagner no centro de articulações relacionadas aos interesses do Banco Master.

Em julho de 2024, um diretor da instituição teria comemorado a proximidade do banco com integrantes do governo. Segundo os diálogos, Daniel Vorcaro orientou que determinada informação fosse enviada “pro Lula e pra base aliada”.

Na sequência, o interlocutor respondeu que o material seria encaminhado para “tio guiga e Jaques”, em referência ao publicitário Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner.

A PF aponta que Jaques Wagner manteve contato direto com Vorcaro e teria atuado em temas de interesse do Banco Master, incluindo discussões sobre crédito consignado, Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB). Essas frentes são citadas pela investigação como relevantes para os interesses da instituição.

A investigação também apura suspeitas de vantagens relacionadas ao senador entre 2024 e 2025. A apuração levou à realização de buscas em endereços ligados a Jaques Wagner.

O senador nega ter feito qualquer intermediação irregular ou atuado em benefício do Banco Master.

O conteúdo apreendido pela Polícia Federal coloca sob questionamento a ideia de que a relação entre Daniel Vorcaro e integrantes do governo teria ocorrido apenas de maneira pontual.

No entanto, os registros mencionados no relatório mostram contatos em diferentes momentos, envolvendo Lula, Jaques Wagner e pessoas próximas ao núcleo político e o empresario  banqueiro, ponto  em contradição a versão pública apresentada sobre a extensão desses contatos e aquilo que aparece nos diálogos apreendidos pela Polícia Federal.

Agora, cabe à investigação esclarecer o conteúdo dessas relações, quais interesses estavam sendo tratados e se houve, de fato, qualquer benefício indevido decorrente dessas aproximações.

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