“Já tenho que estar fora?”: Vorcaro questionou Moraes dois dias antes de ser preso pela PF
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, questionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a necessidade de deixar o Brasil dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. A mensagem foi enviada em 15 de novembro de 2025, um sábado, quando Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
As mensagens foram encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e fazem parte das investigações relacionadas ao Banco Master. O conteúdo mostra que, nos dias que antecederam a prisão, o empresário também tentou marcar encontros com Moraes e buscou informações sobre o andamento das investigações que envolviam o banco.
No dia 14 de novembro, Vorcaro teria perguntado ao ministro se um encontro estava confirmado para o dia seguinte. No sábado (15), além de solicitar uma nova conversa, questionou se deveria deixar o país. No domingo (16), informou que estava em voo e que seguiria diretamente para encontrar o ministro após o pouso.
No mesmo período, Vorcaro também questionou sobre o juiz responsável pelo caso, Ricardo Augusto Soares Leite, e perguntou se o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tinha conhecimento da situação. Em outra mensagem, perguntou se seria possível fazer alguma coisa para impedir ou retardar uma eventual medida contra ele.
Prisão no aeroporto
A prisão ocorreu na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando Vorcaro se preparava para embarcar em um jato particular. Segundo as informações divulgadas pela imprensa, o destino final da viagem seria o exterior.
A ordem de prisão preventiva havia sido assinada horas antes, às 15h29, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. No dia seguinte, 18 de novembro, foi deflagrada a Operação Compliance Zero, que atingiu o Banco Master.
De acordo com a PF, as mensagens indicam que Vorcaro tinha conhecimento antecipado de possíveis medidas contra ele e buscava atuar junto a diferentes interlocutores para tentar evitar ou adiar ações que poderiam comprometer o banco.
Mensagens também citam PF e PGR
Em outros diálogos analisados pela Polícia Federal, Vorcaro teria pedido a um interlocutor que acionasse “Andrei e Paulo”. Segundo a investigação, as referências seriam ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em uma das mensagens, o banqueiro teria solicitado que uma eventual ação da PF fosse adiada para a semana seguinte. A justificativa apresentada seria evitar que o Banco Master entrasse em colapso.
A investigação também aponta que Vorcaro teria mantido contato frequente com Moraes. Segundo a análise das mensagens, há referências a pelo menos seis encontros entre os dois, embora o relatório não consiga confirmar de forma independente que todas as reuniões mencionadas tenham efetivamente ocorrido.
Respostas de Moraes não aparecem nas mensagens
Um dos pontos de cautela na análise do material é que a extração realizada pela PF recuperou as mensagens enviadas por Vorcaro, mas não eventuais respostas de Moraes.
Segundo os investigadores, os dois utilizavam imagens de visualização única com textos produzidos em outro aplicativo. Dessa forma, o material disponível não permite saber o conteúdo de possíveis respostas dadas pelo ministro às mensagens do ex-banqueiro.
Moraes já havia negado anteriormente ter recebido mensagens relacionadas a Vorcaro divulgadas em reportagens e classificou como “ilação mentirosa” a associação de seu nome aos diálogos. Sobre as novas informações reveladas no relatório da PF, o ministro ainda não havia se manifestado no momento das reportagens consultadas.
O caso agora está no centro de uma crise envolvendo integrantes do STF. O ministro André Mendonça encaminhou o material à Procuradoria-Geral da República e solicitou manifestação sobre as informações levantadas pela Polícia Federal. A PGR, de Paulo Gonet, também citado nas mensagens, por sua vez, questionou aspectos da elaboração do relatório e afirmou que irá analisar o caso.
