Vermelho em Brasília e azul em Salvador: Léo Prates lança candidatura à reeleição com histórico de malabarismo político entre o apoio a ACM Neto e o alinhamento ao governo Lula
De aliado das pautas do governo Lula em Brasília a candidato vestido de azul para disputar o eleitorado antipetista na Bahia: o deputado federal Léo Prates (Republicanos) chega à corrida pela reeleição como um verdadeiro camaleão político. A nova cor busca posicioná-lo no campo de oposição ao PT no estado, mas encobre um histórico recente bem diferente no Congresso Nacional, marcado por 93% de alinhamento às orientações do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O percentual não é interpretação política, e sim resultado de um levantamento do jornal A TARDE sobre as votações da Câmara dos Deputados. Durante sua passagem pelo PDT, Prates foi o parlamentar da bancada baiana da legenda que mais seguiu as orientações do governo federal no período analisado. Enquanto o partido, com dois deputados baianos, teve média de 91% de alinhamento, Prates chegou individualmente a 93%.
O dado ganha outro peso diante da nova imagem política do deputado. O mesmo Prates que acumulou 93% de alinhamento a Lula agora veste a camisa azul da oposição na Bahia e volta a pedir o voto de opositores ao PT baiano.
Uma trajetória construída em Salvador
Prates fez carreira política em Salvador: foi vereador, presidiu a Câmara Municipal e comandou a Secretaria Municipal da Saúde na gestão de ACM Neto. Depois passou pela Assembleia Legislativa da Bahia e, em 2022, foi eleito deputado federal pelo PDT, partido em que construiu boa parte de sua atuação em Brasília.
É aí que mora a principal contradição da candidatura: quem acompanha apenas o discurso eleitoral de 2026 pode não reconhecer o Prates revelado pelo levantamento de votações. Em Brasília, o histórico aponta proximidade expressiva com o Planalto. Em Salvador, a estratégia eleitoral assume outra tonalidade. É o velho jogo da política brasileira, em que a cor da camisa muda conforme o terreno, mas o passado recente não desaparece só porque a filiação partidária mudou.
Da votação ao palanque
O próprio deputado tem transformado sua atuação parlamentar em ativo eleitoral. Recentemente, passou a explorar na campanha o trabalho como relator da comissão que discutiu o fim da escala 6×1 na Câmara, usando a pauta em seu material de campanha.
A candidatura, assim, se constrói sobre imagens sobrepostas de um mesmo parlamentar: o deputado com alto índice de alinhamento ao governo Lula; o político formado no grupo de ACM Neto; o ex-pedetista hoje no Republicanos; e o candidato que agora dialoga com o eleitorado de oposição ao PT.
No fim, o multicolorido Léo Prates chega à eleição tentando conciliar cores distintas da própria trajetória. Em Brasília, ficam os registros das votações. Em Salvador, surge a nova identidade política. Cabe ao eleitor confrontar o discurso de campanha com o histórico parlamentar.

