“Tem contrato de 2 bilhões com vizinho de Lulinha”, diz Luchsinger em entrevista
A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, no sábado (17), que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria ajudado a Empresa Construtora Brasil (ECB), integrante do grupo português Mota-Engil, a obter contratos com o governo federal. Segundo ela, a empresa acumulou R$ 2 bilhões em contratos no Brasil desde que Amauri Rodrigues Pinha assumiu a presidência do grupo.
Roberta, que é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, declarou que conhece os fatos, embora tenha ressalvado que não participou diretamente da situação. Ela afirmou que Amauri Pinha era vizinho do filho do presidente quando ele morava no Brasil.
Segundo a empresária, Lulinha mantinha encontros frequentes com o dirigente da construtora para tratar de negócios. Ela afirmou que algumas dessas reuniões aconteciam em sua própria residência, a portas fechadas, e questionou por que os encontros não eram realizados publicamente.
Roberta também declarou que Amauri Pinha teria frequentado o Palácio do Planalto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Petrobras e outros órgãos públicos. Na avaliação dela, as relações mencionadas precisam ser esclarecidas e os contratos da empresa devem ser examinados.
A ECB foi fundada em 1945, tem sede em Belo Horizonte e atua em áreas como infraestrutura pesada, rodovias, ferrovias, saneamento, terraplenagem, pavimentação, projetos industriais e setores de óleo e gás. Em 2012, o grupo Mota-Engil adquiriu 50% de suas ações e, em 2025, passou a deter 100% da empresa.
No ano passado, a ECB também fechou um contrato com a Petrobras para realizar intervenções na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. O grupo Mota-Engil possui ainda 32% de participação na empresa chinesa China Communications Construction Company (CCCC).
Túnel Santos–Guarujá envolve bilhões em recursos
A reportagem também relaciona o grupo Mota-Engil à construção e operação do túnel Santos–Guarujá, em São Paulo. A empresa venceu o leilão da parceria público-privada (PPP) para executar o empreendimento, que conta com recursos da União e do governo paulista.
De acordo com os dados divulgados pelo Metrópoles, a União destinou R$ 2,6 bilhões à obra, que integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo de São Paulo aportou outros R$ 2,7 bilhões. O investimento total previsto é estimado em R$ 6,8 bilhões, dentro do modelo de parceria público-privada.
A lobista sustenta que a relação de proximidade entre o presidente da construtora e Lulinha precisa ser investigada para esclarecer se houve influência na obtenção dos contratos.
Empresária anuncia intenção de delação premiada
Durante a entrevista, Roberta afirmou que pretende firmar um acordo de delação premiada e que possui informações adicionais às conversas de WhatsApp já mencionadas em reportagens. Ela também cobrou transparência sobre o uso de dinheiro público e as relações entre empresários, integrantes do governo e pessoas próximas ao presidente.
A empresária declarou que está sofrendo ameaças e responsabilizou Lula caso algo aconteça com ela ou com suas filhas. As afirmações foram feitas por ela durante a entrevista, sem que a reportagem citada apresente comprovação independente dessas ameaças.
Em nota à CNN Brasil, a equipe de comunicação do presidente afirmou que Lula desconhece inteiramente os fatos relatados por Roberta Luchsinger e que nunca manteve interlocução com a empresária, recebeu demandas dela ou teve conhecimento das supostas tratativas mencionadas.
O governo também ressaltou que não existe contrato federal com Roberta e questionou o momento em que as declarações foram divulgadas, às vésperas do segundo turno das eleições de 2026. A nota classificou a divulgação de denúncias sem comprovação em períodos eleitorais como uma possível tentativa de influenciar a opinião pública.
A CNN informou que procurou o grupo Mota-Engil, mas não havia recebido resposta até a publicação da reportagem. A emissora informou que o espaço permanece aberto para manifestação.
O que precisa ser esclarecido: as declarações de Roberta levantam questionamentos sobre os contratos da ECB, as relações citadas e o eventual papel de Lulinha. A confirmação de qualquer irregularidade depende de documentos, apurações oficiais e provas que sustentem as alegações.
Fonte: Metrópoles, coluna de Andreza Matais, e CNN Brasil.
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