STF pode cometer “suicídio institucional” se não investigar Moraes, diz colunista
Colunista do Metrópoles afirma que Supremo precisa apurar relação entre ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma das mais delicadas crises de sua história recente, diante das revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em artigo publicado no Metrópoles nesta quarta-feira (2), o jornalista e colunista Mário Sabino fez duras críticas a Moraes e afirmou que o STF poderá cometer um “suicídio institucional” caso não adote medidas para investigar o ministro.
Segundo Sabino, as informações reveladas até o momento sobre a relação entre Moraes e Vorcaro seriam graves o suficiente para justificar uma apuração dentro da própria Corte. O colunista defende que o Supremo não deve tratar o caso apenas como uma disputa política ou uma tentativa de desgaste da instituição.
Críticas à permanência de Moraes
No artigo, Sabino sustenta que Moraes não deveria continuar no cargo e afirma que o STF poderia sair fortalecido caso adotasse uma postura de investigação e responsabilização diante dos fatos revelados.
A avaliação ocorre em meio à divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal em aparelhos ligados a Vorcaro. Segundo informações divulgadas nos últimos dias, o banqueiro mantinha contato com Moraes e teria buscado apoio do ministro diante das investigações que atingiam o Banco Master.
As mensagens também provocaram uma disputa institucional envolvendo Moraes, o ministro André Mendonça, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Crise dentro do Supremo
André Mendonça, que passou a atuar como relator do caso, avalia os elementos relacionados às mensagens envolvendo Moraes. A possibilidade de investigação do próprio ministro do STF colocou a Corte diante de uma situação especialmente sensível, já que o episódio envolve integrantes da própria instituição responsável por analisar o caso.
Para Mário Sabino, a saída para a crise deveria partir do próprio Supremo. O colunista argumenta que uma investigação interna, conduzida de maneira transparente, poderia demonstrar que a Corte possui mecanismos para afastar condutas que possam comprometer sua credibilidade.
Sabino também menciona a possibilidade de controle externo pelo Senado, responsável constitucionalmente pelos processos de impeachment de ministros do STF, mas considera preferível uma solução institucional dentro do próprio tribunal.

