Servidora comissionada da Prefeitura de Camaçari é alvo de denúncia por suposta atuação em pré-campanha durante o horário de trabalho
O uso de cargos comissionados da Prefeitura de Camaçari para supostas atividades político-partidárias volta ao centro do debate. Um novo levantamento obtido pelo Orla News aponta que uma servidora lotada na Secretaria de Governo (Segov), com remuneração aproximada de R$ 8 mil, aparece com frequência em agendas políticas do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo reuniões, encontros e viagens por diversas cidades da Bahia ao lado de lideranças da legenda. As publicações levantam questionamentos sobre a compatibilidade entre essas atividades e o exercício das funções para as quais foi nomeada na administração municipal.
Segundo a apuração, não há identificação pública clara das atribuições desempenhadas pela servidora dentro da estrutura da Secretaria de Governo. Em contrapartida, suas próprias redes sociais registram participação constante em compromissos de natureza político-partidária ao lado de integrantes do grupo político da atual gestão municipal, que atua em apoio à pré-candidatura à reeleição da deputada federal Ivoneide Caetano.
As imagens e registros divulgados publicamente chamam atenção porque parte dessas atividades teria ocorrido em dias úteis e horários que, em tese, coincidem com o expediente da administração pública. Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre como é realizado o controle de frequência dos servidores comissionados e se existe compatibilidade entre a jornada de trabalho e a intensa agenda política apresentada nas redes sociais.
Embora a legislação assegure aos servidores o direito de exercer atividades político-partidárias fora do horário de expediente, cabe aos órgãos de fiscalização verificar se houve eventual utilização da estrutura pública, desvio de função ou qualquer incompatibilidade entre o cargo ocupado e as atividades desenvolvidas.
Debate não é novo em Camaçari
A discussão sobre o uso de cargos comissionados para finalidades político-partidárias não é novidade em Camaçari.
Na gestão do ex-prefeito Antônio Elinaldo Araújo (União Brasil), também vieram a público denúncias relacionadas ao suposto uso da máquina pública, incluindo acusações de funcionários fantasmas, pagamentos considerados irregulares e casos de pessoas que, segundo denúncias divulgadas à época, estariam residindo no exterior enquanto permaneciam vinculadas à folha de pagamento do Município. Apesar da repercussão, os episódios não resultaram em uma apuração pública que esclarecesse definitivamente os fatos.
Independentemente do grupo político que ocupa a Prefeitura, os episódios reforçam a necessidade de maior transparência na ocupação de cargos comissionados, no controle da jornada de trabalho e na fiscalização do uso dos recursos públicos. A sociedade tem o direito de saber se os servidores nomeados estão efetivamente desempenhando as funções para as quais foram contratados.
Espaço aberto
O Orla News mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Camaçari, da servidora citada e da gestão do ex-prefeito Antônio Elinaldo Araújo, caso desejem apresentar esclarecimentos sobre os fatos apresentados nesta reportagem.

