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Primeiro dia de vagão exclusivo para mulheres gera reclamações de passageiros no metrô

Entrou em vigor nesta segunda-feira (03), a lei estadual que determina a reserva de um vagão exclusivo para mulheres no Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas. Segundo o Estado, a medida foi criada com o objetivo de oferecer mais segurança às mulheres e reduzir casos de assédio e importunação sexual dentro do metrô, mas, na prática, provocou reclamações de passageiros nas primeiras horas da manhã.

A reportagem do Orlanews acompanhou a operação e constatou que, em diversos momentos, o vagão destinado exclusivamente ao público feminino apresentava menor ocupação, enquanto os demais circulavam lotados, comprometendo o conforto e a circulação dos usuários, principalmente nos horários de maior movimento.

Muitos passageiros relataram que a maioria dos usuários opta por embarcar no primeiro e no último vagão, para terem acesso rápido às escadas rolantes, para antecipar a circulação nas estações.

“Na minha opinião, essa lei não resolve o problema. Quem comete crime tem que ser preso. Separar um vagão só faz aumentar a lotação dos outros e acaba prejudicando quem depende do metrô todos os dias”, criticou um jovem do sexo masculino.

“Hoje ficou bem claro que alguns vagões estavam muito mais cheios que outros. Acho que a medida precisa ser revista, porque, nos horários de pico, o desconforto aumenta para a maioria dos passageiros”, citou Ângela Maria, moradora de Lauro de Freitas.

Apesar dos transtornos, algumas mulheres defenderam a ação, relatando que a medida protege o público feminino de sofrerem assédio. “Como mulher, me sinto mais confortável sabendo que existe um espaço reservado. Espero que isso iniba quem costuma praticar importunação dentro do metrô.”

A ação tem origem no Projeto de Lei nº 41/2024, de autoria da vereadora Marta Rodrigues (PT), irmã do governador Jerônimo Rodrigues, apresentado em março de 2024. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal de Salvador e transformada na Lei Municipal nº 9.835/2025, sancionada pelo prefeito Bruno Reis em março de 2025. Após a sanção, a implantação da medida passou a depender da articulação entre o Governo da Bahia, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) e a CCR Metrô Bahia, concessionária responsável pela operação do sistema.

Além disso, especialistas argumentam que a iniciativa afronta o princípio da igualdade consagrado no artigo 5º da Constituição Federal, que estabelece que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”, assegurando a inviolabilidade dos direitos à liberdade, à igualdade e à segurança. O mesmo dispositivo constitucional determina que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.

Apesar das atribuições da lei, o Estado prefere cumprir a linha ideológica e prejudicar a população. A CCR Metrô Bahia e o Governo do Estado devem acompanhar os impactos da medida nos próximos dias. Enquanto isso, o debate entre a segurança das mulheres e a capacidade operacional do sistema promete continuar entre os usuários que dependem diariamente do metrô para seus deslocamentos.

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