PF apreende US$ 49 mil em operação que investiga suposta relação entre Jaques Wagner e Banco Master
A Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (18). O dinheiro foi encontrado em um endereço ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), em Brasília, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A nova etapa da operação investiga atos de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político relacionados ao Banco Master, instituição financeira que está no centro de uma ampla apuração conduzida pela Polícia Federal desde 2024. O senador baiano, que é líder do governo Lula no Senado, é apontado pelos investigadores como um dos principais alvos desta fase.
Segundo a investigação, além dos US$ 49 mil encontrados no imóvel utilizado por Jaques Wagner no Distrito Federal, agentes também apreenderam 33,5 mil euros e outros US$ 6.175 em endereços ligados ao parlamentar na Bahia. No total, as apreensões em moedas estrangeiras somam aproximadamente R$ 470 mil, considerando a cotação atual. Relógios e documentos também foram recolhidos para análise.
A Polícia Federal apura se pessoas ligadas ao senador receberam cerca de R$ 11 milhões por meio de contratos considerados suspeitos. Os investigadores também investigam a suposta aquisição de um apartamento de alto padrão, localizado em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões. A suspeita é de que o imóvel tenha sido utilizado para ocultar a origem de recursos supostamente provenientes do esquema investigado.
Além de Jaques Wagner, a operação tem como alvos o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, além de familiares e pessoas próximas ao senador. Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, no Distrito Federal e em São Paulo.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Até o momento, não há denúncia formal nem condenação contra os investigados.
As investigações ainda estão em fase inicial e o material apreendido passará por perícia e análise da Polícia Federal. O avanço da Operação Compliance Zero reforça a importância da transparência na gestão pública e do acompanhamento rigoroso das instituições de controle.
Para o eleitorado baiano, o caso representa mais um momento de reflexão sobre a necessidade de acompanhar de perto a atuação de seus representantes, exigir explicações quando surgem suspeitas e lembrar que o fortalecimento da democracia depende tanto da atuação independente dos órgãos de investigação quanto da responsabilidade do cidadão na fiscalização dos agentes públicos.

