Mulher de Moraes em mensagem: “Estamos gostando muito” do jatinho
Documentos reunidos no inquérito que apura o caso Banco Master mostram uma conversa em que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, afirma estar “gostando muito” de utilizar um jatinho Legacy 650 ligado à Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, era sócio. O diálogo aparece entre outros registros que tratam da relação entre o escritório de Viviane e empresas associadas ao empresário.
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira (1º), a mensagem foi enviada por Viviane a um funcionário da Prime You responsável pelo atendimento relacionado à aeronave. Depois, o funcionário encaminhou uma captura da conversa a Daniel Vorcaro.
No diálogo, o funcionário pergunta se Viviane e as demais pessoas que utilizavam a aeronave estavam satisfeitas com o uso das “cotas” do jatinho. A resposta atribuída à advogada foi: “Sim, estamos gostando muito”. O conteúdo foi posteriormente incluído no material examinado pelos investigadores.
O Legacy 650 também aparece em uma minuta de contrato envolvendo o escritório Barci de Moraes Advogados e a Viking Participações, holding patrimonial ligada a Daniel Vorcaro. Conforme o Metrópoles, a proposta previa a prestação de serviços advocatícios no valor de R$ 50 milhões.
O documento estabelecia uma forma de pagamento que não se limitava ao dinheiro. A minuta previa a transferência de cotas relacionadas ao Legacy 650 e a um helicóptero EC155 B1. Dessa maneira, as aeronaves mencionadas nas conversas sobre os voos também aparecem vinculadas à proposta comercial analisada no inquérito.
A reportagem cita ainda discussões sobre a estrutura de propriedade do jatinho. Conversas examinadas pelos investigadores indicam preocupação para que a aeronave não fosse registrada em uma empresa diretamente associada a Viviane. Em uma mensagem de 24 de julho de 2025, o advogado Leonardo Palhares teria explicado a Vorcaro que havia receio quanto à exposição dos sócios da empresa proprietária do ativo e a um possível risco reputacional.
Outras mensagens indicam que Vorcaro orientava uma funcionária da Prime You a manter o atendimento a Barci durante os agendamentos de voos do Legacy 650. A instrução aparece em meio aos diálogos sobre a utilização da aeronave.
O relatório citado registra também que Viviane teria, segundo a interpretação dos investigadores, domínio de fato sobre os bens. A conclusão é associada às conversas em que ela responde sobre o uso das cotas do avião.
O escritório Barci de Moraes, porém, nega que o contrato relacionado ao jatinho tenha sido concluído. Em nota, afirma que a proposta do Banco Master não foi aceita, que nenhum documento foi assinado e que não houve transferência ou substituição do contrato original.
A defesa declara ainda que o escritório mantinha apenas uma contratação com o Banco Master. Segundo a manifestação, esse contrato foi encerrado após a liquidação da instituição financeira, sem a permanência de vínculo contratual com o banco.
Os documentos apresentam, portanto, dois pontos distintos. A investigação reúne mensagens sobre a utilização do Legacy 650, instruções para o atendimento de Viviane e uma minuta que previa R$ 50 milhões em serviços advocatícios, com pagamento por cotas de aeronaves. O escritório, por sua vez, sustenta que a proposta não foi aceita e que o contrato envolvendo o jatinho nunca foi efetivamente firmado.
O material passou a integrar o conjunto de elementos analisados no inquérito relacionado ao Banco Master, que apura relações e operações envolvendo Daniel Vorcaro e pessoas e empresas próximas a ele.
O principal ponto indicado pelos documentos é que o uso do Legacy 650 por Viviane Barci de Moraes aparece registrado em conversas com funcionários da empresa responsável pela aeronave. Ao mesmo tempo, uma proposta de contrato de R$ 50 milhões entre o escritório da advogada e uma holding ligada a Vorcaro previa a transferência de cotas do jatinho e de um helicóptero como forma de pagamento. O escritório afirma, contudo, que a proposta não foi aceita e que nenhum contrato relacionado às aeronaves foi firmado.

