MPF investiga diretor-geral da PF por possível vazamento de informações sigilosas envolvendo irmão de Lula
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou informações sigilosas sobre a Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. O caso envolve declarações do chefe da corporação sobre José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi).
A controvérsia começou em abril de 2025, quando Rodrigues afirmou publicamente que Frei Chico não era alvo da operação nem estava sendo investigado naquele momento. A declaração foi feita dois dias após a Polícia Federal deflagrar uma ação contra entidades suspeitas de envolvimento em um esquema de descontos indevidos que, segundo as informações divulgadas à época, ultrapassava R$ 6 bilhões.
A manifestação do diretor-geral levantou questionamentos sobre a divulgação de informações relacionadas a um procedimento que envolvia dados protegidos por sigilo judicial.
A 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF rejeitou o arquivamento inicial do caso e determinou novas diligências para verificar se houve descumprimento de dever funcional, possível violação do artigo 325 do Código Penal, que trata da violação de sigilo funcional, ou eventual ato de improbidade administrativa. Andrei Rodrigues deverá prestar esclarecimentos aos investigadores.
Meses depois, uma nova fase da operação teve como alvo o próprio Sindnapi, com mandados de busca e apreensão cumpridos na sede da entidade e em endereços ligados a dirigentes. Frei Chico, porém, não foi alvo de mandado de busca naquela ação.

