Política

Moraes voou em aviões ligados a Vorcaro, diz jornal; ministro nega

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, teria utilizado ao menos oito voos em aeronaves de empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entre maio e outubro de 2025. A informação foi publicada nesta terça-feira (31) pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, o ministro não estaria sozinho nos deslocamentos, tendo sido acompanhado, em parte das viagens, por sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Os dados teriam sido identificados a partir do cruzamento de informações da Agência Nacional de Aviação Civil, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e do Registro Aeronáutico Brasileiro, o que reforça o caráter documental dos registros analisados.

Segundo o levantamento, sete dos oito voos teriam ocorrido em aeronaves da empresa Prime Aviation, voltada ao compartilhamento de bens de luxo, da qual Vorcaro era sócio por meio do fundo Patrimonial Blue. A única exceção teria sido um deslocamento realizado em agosto de 2025, em um jato Falcon 2000 pertencente a uma empresa sem autorização para operar como táxi aéreo.

Entre os sócios dessa aeronave estaria o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O empresário, por sua vez, foi preso após se entregar à Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras.

Em resposta, o gabinete de Moraes negou as informações e classificou a reportagem como “fantasiosa”. Em nota, afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.

Já o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes declarou que realiza contratações frequentes de táxi aéreo, incluindo a Prime Aviation, destacando que os serviços seguem critérios operacionais e não envolvem vínculo pessoal com os proprietários das aeronaves.

A defesa também sustentou que, nos voos realizados, nem Vorcaro nem Zettel estavam presentes, acrescentando que não há qualquer relação entre os profissionais do escritório e os investigados citados.

O episódio acrescenta mais um elemento ao debate sobre a relação entre autoridades públicas e serviços privados de alto padrão, especialmente quando envolvem personagens citados em investigações recentes, ainda que, neste caso, mesmo com comprovações de órgão responsável, todas as conexões tenham sido formalmente negadas.

Comentários: