Política

Mensagens entre Moraes e dono do Banco Master levantam suspeitas sobre possível interferência em investigação da PF

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, colocaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro de novos questionamentos envolvendo as investigações contra o banqueiro. Os diálogos, segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), indicam que Vorcaro teria procurado o ministro para tratar de uma possível operação da Polícia Federal e até mesmo sobre a necessidade de deixar o país antes de sua prisão.

De acordo com o material analisado pela PF, Vorcaro teria enviado mensagens a um número atribuído a Moraes em meio à preocupação com os desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investigava irregularidades relacionadas ao Banco Master. Em uma das conversas, dois dias antes de ser preso, o banqueiro teria perguntado ao interlocutor se deveria deixar o Brasil, chegando a questionar se na segunda-feira já precisaria estar fora do país. Vorcaro acabou preso em 17 de novembro de 2025, quando estava prestes a embarcar em uma aeronave.

As mensagens também indicariam que o empresário buscava ajuda para lidar com as investigações. Segundo o conteúdo divulgado, Vorcaro teria pedido que Moraes intercedesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Para os investigadores, o conteúdo levanta a possibilidade de que o banqueiro tentasse utilizar sua relação com autoridades para obter informações ou alguma forma de proteção diante das medidas que poderiam ser tomadas contra ele.

Outro elemento que aumentou a repercussão do caso é a existência de registros de contatos entre Vorcaro e Moraes. Informações já divulgadas pela imprensa apontam que os dois mantinham contato desde pelo menos 2023 e que teriam se encontrado diversas vezes. As novas mensagens, porém, chamam atenção porque ocorreram justamente no período em que o Banco Master enfrentava graves problemas e Vorcaro estava sob pressão das autoridades.

O caso também envolve o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Documentos e mensagens apreendidos pela PF apontam para um contrato de valor elevado entre o Banco Master e o escritório. Segundo reportagem da Folha, a análise de metadados de um documento indica que Moraes teria participado da edição do contrato, cujo valor chegaria a R$ 131 milhões. A banca, por sua vez, afirmou que seu setor de compliance havia solicitado informações ao ministro.

Mensagens também mencionam pagamentos ao escritório. Em um dos diálogos, Vorcaro demonstrou preocupação com o atraso de um pagamento de R$ 3,4 milhões e classificou a quitação como especialmente importante. O conteúdo passou a integrar o conjunto de informações analisadas na investigação do caso Banco Master.

Diante da repercussão das mensagens, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a retirada do sigilo de parte do material e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. A medida busca esclarecer a natureza das conversas e verificar se há elementos que possam envolver autoridades com foro privilegiado.

Alexandre de Moraes, entretanto, nega ter recebido algumas das mensagens atribuídas a ele. Em manifestação anterior sobre conversas divulgadas envolvendo Vorcaro, o ministro afirmou que o número apresentado como sendo seu não correspondia aos contatos encontrados nos arquivos apreendidos. A defesa e os envolvidos também contestam interpretações feitas a partir do material.

As novas revelações ampliam a crise em torno do caso Banco Master e levantam questionamentos sobre a relação entre o banqueiro investigado e autoridades do Judiciário e de outros órgãos públicos. 

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