Governo inicia testes para adicionar 35% de etanol na gasolina
O Ministério de Minas e Energia publica nesta sexta (18) a portaria com o plano de testes da gasolina com 35% de etanol anidro. Nada muda nas bombas por enquanto, porque a decisão de elevar o teor cabe ao CNPE e depende do que os laboratórios encontrarem.
Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a aditivada usam 32% de etanol, com validade inicial de 180 dias e possibilidade de prorrogação por igual período. A Lei do Combustível do Futuro abre espaço para chegar a 35%, mas exige estudos que mostrem que a mistura não compromete o funcionamento dos veículos.
Mais etanol na gasolina: o que pode dar problema em carros antigos e novos
Carros antigos. Em veículos fabricados antes de 2000, bombas, filtros, bicos, mangueiras, sensores, boias e vedações podem não ter sido projetados para lidar com mais etanol. Nos carburados, o carburador dosa o combustível pela diferença de pressão, sem reconhecer a nova composição. O motorista pode notar leve aumento de consumo, mais necessidade de afogador na partida a frio e mudanças na marcha lenta. Outros sintomas citados são marcha lenta irregular, pequenos engasgos nas acelerações e perda de desempenho.
O risco físico também existe. Nos carros mais velhos, os alvos são o tanque metálico, mais suscetível à ferrugem, e o carburador, feito de ligas que reagem mal ao etanol. Os importados feitos para países com pouco ou nenhum etanol na gasolina também pedem mais cuidado. A idade, sozinha, não define o risco. O projeto do carro e o estado do sistema de alimentação pesam mais.
Carros novos e flex
Em carros flex em bom estado, a injeção se ajusta sozinha à nova composição. Nos motores modernos, o risco de desgaste ou corrosão é bem reduzido, porque as fabricantes já adaptaram os componentes. O principal efeito é no bolso: o etanol rende menos, então o consumo pode subir, mas não necessariamente de forma proporcional. Isso depende da calibração, da condução e da formulação do combustível. Mangueiras, bombas, filtros e vedações desgastados são os mais suscetíveis a problemas. Em carros com injeção direta, o conserto pesa: a bomba de alta pressão custa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, e cada bico, de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. (Gasolina E32 pode aumentar consumo e causar falhas em carros antigos.
Especialistas divergem
O Instituto Mauá e a AVL concluíram que o E32 não traz impactos relevantes para a frota, inclusive para motores não flex. Já a Anfavea diz que os testes do E32 não incluíram durabilidade, emissões e autonomia, e defende estudos conclusivos antes de qualquer aumento. É por isso que a E35 passa por ensaios: os engenheiros vão medir consumo, emissões e degradação de peças em ciclos contínuos de rodagem.
Para quem tem carro sensível, a recomendação é usar aditivo estabilizador se o carro ficar muito tempo parado, considerar inibidores de corrosão e conferir a compatibilidade do filtro de combustível. Se tiver dúvida, o melhor é consultar o manual ou a fabricante.

