Empresário investigado aparece como ganhador de R$ 176 milhões em 570 apostas
O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, aparece em relatórios de inteligência financeira como ganhador de 570 prêmios e apostas que somaram R$ 176,4 milhões entre 2020 e 2025. As informações fazem parte da investigação que levou à deflagração, nesta quinta-feira (24), da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a frequência e o volume das premiações chamaram a atenção dos investigadores no contexto de uma apuração sobre possível lavagem de dinheiro. A hipótese investigada é que apostas e recebimento de prêmios possam ter sido utilizados para conferir aparência lícita a recursos de origem suspeita. A investigação ainda está em andamento e não significa que os prêmios, individualmente, tenham origem ilícita.
Freixo é dono da Entre Investimentos e está entre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos na nova etapa da operação. De acordo com as autoridades, a empresa teria participado de uma complexa estrutura financeira utilizada para movimentar recursos e ocultar os beneficiários de negócios relacionados ao setor de combustíveis.
Investigação mira estrutura financeira
A Operação Crédito Oculto é conduzida pelo Gaeco do MPSP, com participação da Receita Federal, Secretaria da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado e forças policiais. Foram expedidos mandados de busca e apreensão relacionados a 13 pessoas e 24 empresas, em endereços de São Paulo e de outros seis estados.
A investigação apura uma estrutura que, segundo o Ministério Público, teria sido criada para ocultar os verdadeiros beneficiários de uma usina sucroalcooleira no interior paulista e viabilizar a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.
Um dos pontos identificados pelos investigadores envolve aproximadamente R$ 100 milhões destinados à aquisição da distribuidora. Segundo a apuração, o dinheiro teria passado rapidamente por diferentes empresas e por estruturas mantidas em fintechs antes de chegar à usina.
Outro negócio analisado envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios, movimentados por meio de um fundo de investimento. Para os investigadores, a sequência de operações teria criado camadas destinadas a dificultar a identificação da origem e dos beneficiários dos recursos.
Movimentações de bilhões
Os investigadores também apontam que estruturas relacionadas ao grupo financeiro movimentaram aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
O Ministério Público sustenta que o volume financeiro, analisado em conjunto com outras operações, apresenta indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais. Essas são, porém, hipóteses investigativas que ainda serão submetidas ao contraditório e à análise judicial.
Além das suspeitas relacionadas ao setor de combustíveis, Freixo também aparece em investigações envolvendo o antigo Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Reportagens recentes apontam que ele firmou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República no contexto das investigações relacionadas ao banco.
Ligação com o caso “Dark Horse”
O nome de Freixo também surgiu nas investigações sobre repasses destinados ao fundo utilizado para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações divulgadas sobre a colaboração de Freixo, ele teria relatado aos investigadores transferências realizadas pela Entre Investimentos para um fundo nos Estados Unidos. O caso é tratado separadamente das suspeitas que motivaram a Operação Crédito Oculto.
Banco Genial se manifesta
Outro alvo da operação é Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, além de seus irmãos.
Em nota, o Banco Genial afirmou que Tupinambá não integra mais a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026. O banco declarou ainda que forneceu informações sobre operações relacionadas ao Fundo Radford às autoridades e comunicou movimentações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A instituição também informou que adotou medidas internas de governança e controle e que, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, renunciou à administração do Fundo Radford.
A defesa de Antonio Carlos Freixo Júnior informou à CNN Brasil que não se manifestaria. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos dos demais citados.
As investigações continuam para determinar a origem dos recursos, o papel de cada investigado e se as operações financeiras identificadas foram utilizadas efetivamente para lavagem de dinheiro ou ocultação patrimonial.

