Eleitos para o Senado, Rui Costa e Jaques Wagner superam nas urnas questionamentos e suspeitas de corrupção
Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, foram eleitos neste domingo (4) para representar a Bahia no Senado Federal. Rui, ex-governador e ex-ministro da Casa Civil, obteve cerca de 30% dos votos válidos, enquanto Wagner, que buscava a reeleição, alcançou aproximadamente 27,6%. Com o resultado, os dois principais nomes do grupo político que comanda a Bahia há quase duas décadas passam a ocupar simultaneamente as duas cadeiras do estado no Senado.
A vitória eleitoral, entretanto, ocorre em um momento em que os dois políticos carregam episódios que continuam gerando questionamentos sobre suas trajetórias na administração pública.
No caso de Rui Costa, um dos principais pontos de controvérsia é a compra de respiradores realizada em 2020 pelo Consórcio Nordeste, quando ele presidia a entidade. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia apontou “erros administrativos grosseiros” na operação de R$ 48,7 milhões com a empresa Hempcare, que recebeu o pagamento antecipado, mas não entregou os equipamentos. O caso também é investigado pela Polícia Federal e tramita no Superior Tribunal de Justiça.
O relatório do TCE-BA recomendou a rejeição das contas relativas à gestão do consórcio naquele período e apontou falhas na análise da empresa contratada, nos mecanismos de controle e na autorização do pagamento antecipado. A defesa de Rui sustentou que a contratação ocorreu em meio à emergência sanitária da pandemia e que a decisão foi tomada de forma colegiada pelos governadores.
Já Jaques Wagner enfrenta atualmente uma investigação mais recente e diretamente relacionada a suspeitas de corrupção. O senador foi alvo, em junho deste ano, da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo a PF, são apurados, em tese, crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A investigação apontou possíveis vantagens econômicas relacionadas ao parlamentar, incluindo negociações envolvendo um apartamento de luxo em Salvador, além de outros benefícios. A PF também identificou transferências milionárias para empresas ligadas a pessoas do seu círculo familiar. Wagner nega irregularidades, afirma que não é réu nem foi denunciado e sustenta que não atuou em favor do Banco Master.
Mesmo diante desses episódios, as urnas deram aos dois políticos uma nova demonstração de força. A eleição de Rui e Wagner mantém o PT com as duas vagas da Bahia no Senado e amplia a presença do grupo político que governa o estado desde 2007.
Para os eleitores que optaram pela dupla, os resultados administrativos, a identificação política com o PT e o apoio do presidente Lula aparentemente pesaram mais do que as controvérsias. Para os críticos do grupo, a eleição representa justamente a continuidade de uma estrutura política que há anos domina o cenário baiano.
Rui Costa e Jaques Wagner, agora, terão oito anos pela frente no Senado para responder politicamente e, no caso das investigações ainda abertas, também perante as instituições, aos questionamentos que acompanham suas trajetórias.

