Dois anos após ampliação, Colégio Estadual de Vila de Abrantes tem relatos de problemas estruturais e falta de projeto de integração dos equipamentos com a comunidade
Inaugurada pela Secretaria de Educação do Estado em julho de 2024, a ampliação do Colégio Estadual de Tempo Integral de Vila de Abrantes (CEVA) foi entregue com uma estrutura anunciada como moderna, incluindo 24 salas de aula climatizadas, piscina semiolímpica, quadra poliesportiva coberta, teatro para 200 pessoas, restaurante estudantil, arena de lutas e espaços para atividades corporais.
A unidade recebeu investimento de aproximadamente R$ 25 milhões e também foi apresentada pelo Governo do Estado como um equipamento que poderia ser utilizado pela comunidade de Vila de Abrantes, além das atividades escolares.
Dois anos após a inauguração, o que se vê é um cenário diferente do apresentado no momento da entrega. Constantemente, estudantes relatam problemas relacionados ao funcionamento e à manutenção da infraestrutura da unidade, entre eles a falta de manutenção dos aparelhos de ar-condicionado das salas de aula. Segundo os relatos, há salas onde os equipamentos não estariam funcionando. Em outras, estudantes afirmam que os aparelhos apresentam vazamentos, com água pingando dentro das salas durante o período de funcionamento.
Nesta semana, alunos também relataram nas redes sociais o mau cheiro de esgoto nas proximidades do refeitório. A queixa acrescenta outro problema relacionado às condições de funcionamento da unidade e levanta questionamentos sobre a manutenção da rede hidráulica e sanitária do equipamento.
Além das condições das salas de aula, permanece o questionamento sobre a utilização regular dos equipamentos construídos no complexo pela comunidade. Um dos exemplos é a piscina semiolímpica, que, segundo relatos, não estaria sendo utilizada sequer pelos próprios alunos de forma regular.
Embora a estrutura tenha sido apresentada como um espaço com potencial para integração com a comunidade, não há, até o momento, informações sobre a implantação de projetos permanentes de natação ou hidroginástica voltados, por exemplo, para a população da terceira idade. A ausência dessas atividades limita a utilização de uma estrutura que poderia ampliar a oferta de esporte e lazer em Vila de Abrantes.
Entre os equipamentos, o teatro é o que apresenta registros mais concretos de utilização para atividades que ultrapassam a rotina escolar. O espaço já recebeu eventos e atividades locais, demonstrando que a estrutura pode funcionar como equipamento de integração cultural com a comunidade.
A situação coloca em evidência dois pontos distintos: a necessidade de manutenção contínua da estrutura e a definição de uma política mais clara para utilização comunitária dos equipamentos. A conservação das instalações e o funcionamento adequado dos serviços são aspectos essenciais para uma unidade pública de ensino, especialmente após um investimento de grande porte em sua ampliação.
O CEVA foi entregue com uma estrutura ampla e equipamentos com a promessa de ampliar significativamente o potencial da escola. Dois anos depois, os relatos de estudantes sobre problemas de manutenção e a utilização ainda limitada de parte dos equipamentos mostram que a gestão da unidade necessita de melhorias, para garantir que a estrutura permaneça funcionando adequadamente e que os espaços destinados à integração com a comunidade cumpram efetivamente a finalidade anunciada pelas autoridades no momento da entrega.

