Política

Demissão no Ministério do Trabalho expõe blindagem da BYD em Camaçari e demissão de secretário de Inspeção do Trabalho

O governo federal exonerou o secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão de Mello, em meio a uma controvérsia envolvendo a inclusão da montadora chinesa BYD na chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão. A decisão, assinada em 10 de abril, foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (13).

De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, a demissão ocorreu após o secretário desobedecer uma determinação direta do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que teria orientado pela exclusão da empresa do cadastro. A medida acirra o desgaste interno na pasta e levanta questionamentos sobre possível interferência política em decisões técnicas.

O episódio tem origem em dezembro de 2024, quando auditores-fiscais do trabalho resgataram 163 trabalhadores chineses em condições degradantes nas obras da fábrica da BYD, em Camaçari. Segundo o relatório da fiscalização, os trabalhadores viviam em alojamentos insalubres, tiveram passaportes retidos e chegaram a ter até 70% dos salários retidos, práticas que caracterizam condições análogas à escravidão conforme a legislação brasileira.

A inclusão da montadora na lista suja ocorreu no dia 6 de abril, mas foi revertida dois dias depois, após decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). A retirada do nome da empresa, aliada à exoneração do secretário, intensificou a crise entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a categoria dos auditores-fiscais.

Entidades representativas da fiscalização trabalhista têm reagido com preocupação. Auditores denunciam o que classificam como tentativa de interferência política para proteger grandes empresas, o que, segundo eles, compromete a autonomia técnica das investigações e enfraquece o combate ao trabalho escravo no país.

O caso também repercute no cenário econômico e político, já que a BYD é uma das principais apostas do governo federal para impulsionar a indústria automotiva e a transição energética no Brasil, com investimentos bilionários previstos para a unidade baiana.

Até o momento, o Ministério do Trabalho não detalhou oficialmente os motivos da exoneração, enquanto a BYD afirma colaborar com as autoridades e nega irregularidades diretas, atribuindo eventuais problemas a empresas terceirizadas envolvidas nas obras.

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