China aumenta para 67% a taxa de exportação da carne brasileira
A China começou a aplicar, nesta quinta-feira (1º), uma sobretaxa de 55% sobre as importações de carne bovina brasileira que ultrapassarem a cota estabelecida para 2026. Com a cobrança adicional, a tarifa total sobre o produto que exceder o limite chega a 67%, considerando os 12% da alíquota regular.
A medida entrou em vigor depois que o Brasil atingiu, em 29 de setembro, a cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pelo governo chinês. O mecanismo faz parte de uma salvaguarda adotada por Pequim para proteger os produtores locais e não é direcionado exclusivamente ao Brasil. Outros fornecedores também estão sujeitos às mesmas regras após o preenchimento de suas respectivas cotas.
A China é atualmente o principal mercado externo da carne bovina brasileira. Em 2025, os chineses compraram cerca de 1,68 milhão de toneladas do produto brasileiro, o equivalente a 48% das exportações nacionais da proteína, em negócios que movimentaram aproximadamente US$ 8,9 bilhões.
O fim da cota já vinha sendo acompanhado pelo setor. Frigoríficos reduziram o ritmo dos embarques nos últimos meses diante da possibilidade de que o limite fosse atingido. Agora, empresas avaliam estratégias para aproveitar a nova cota que será aberta em 2027, enquanto o governo brasileiro mantém negociações com as autoridades chinesas.
Para 2027, a cota brasileira será elevada para 1,128 milhão de toneladas. Representantes do setor, entretanto, avaliam que o novo limite também poderá ser alcançado rapidamente diante do volume de compras chinesas.
Postura diferente da adotada diante dos EUA
A entrada da sobretaxa chinesa ocorre sem que o governo brasileiro tenha anunciado uma tarifa de retaliação contra produtos chineses. O Ministério da Agricultura informou que o tema continua sendo negociado com Pequim.
A situação contrasta com o episódio envolvendo os Estados Unidos em 2025. Naquele caso, após o então presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil responderia com base na Lei de Reciprocidade Econômica caso medidas unilaterais de elevação de tarifas fossem adotadas.
Posteriormente, Lula declarou que o governo brasileiro não pretendia impor tarifas recíprocas aos Estados Unidos naquele momento e que manteria aberta a possibilidade de negociação comercial.

