Esporte

Grêmio sofre restrição da CBF e dívida com o Vitória ganha novo capítulo

O Grêmio foi submetido nesta terça-feira (25), a uma restrição para registrar novos jogadores junto ao bid da CBF. O Tricolor Gaúcho foi enquadrado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) em um chamado Evento de Insolvência, dentro das regras do Fair Play Financeiro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A decisão acontece em meio a um cenário de cobranças financeiras que também envolve diretamente o Vitória. O clube baiano ainda busca receber valores referentes à transferência do zagueiro Wagner Leonardo, negociado com o Grêmio.

Apesar de a medida ter efeito semelhante a um transfer ban, o Grêmio não está completamente proibido de contratar. A partir de agora, qualquer novo registro de atleta dependerá de autorização prévia da ANRESF.

A punição ocorreu depois que o clube apresentou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) um plano coletivo para reorganizar o pagamento de aproximadamente R$ 16 milhões em dívidas, distribuídas em 23 processos, com previsão de quitação ao longo de 60 meses. Pelas regras do novo sistema de sustentabilidade financeira, a apresentação desse tipo de plano é considerada um Evento de Insolvência.

Para conseguir registrar novos jogadores, o Grêmio terá de cumprir critérios financeiros. Entre eles está a exigência de que os valores gastos em novas contratações não ultrapassem as receitas obtidas com a venda de atletas. A folha salarial do elenco e da comissão técnica também será monitorada.

O clube gaúcho afirma que arrecadou aproximadamente R$ 167 milhões com transferências de jogadores em 2026 e que os gastos com contratações permanecem abaixo desse valor. A diretoria também sustenta que a média salarial do elenco está em queda.

Dívida com o Vitória entra novamente no radar

A situação chama atenção em Salvador porque o Vitória possui valores a receber pela negociação de Wagner Leonardo e já acionou a CNRD para tentar recuperar o dinheiro.

O caso ganhou contornos ainda mais delicados porque parte dos recursos que o Vitória deveria receber do Grêmio teria de ser repassada ao Portimonense, de Portugal, que também tinha participação na operação envolvendo o zagueiro.

Com o atraso nos pagamentos do Grêmio, o Vitória deixou de fazer o repasse ao clube português. O Portimonense recorreu à Fifa e o Rubro-Negro acabou sofrendo um transfer ban.

Para solucionar o problema e voltar a registrar jogadores, o Vitória precisou desembolsar 394 mil euros. Com a quitação da pendência, a punição foi retirada. Agora, o clube baiano pretende cobrar do Grêmio não apenas os valores originalmente devidos, mas também os custos que teve para solucionar o problema e eventuais penalidades relacionadas ao episódio.

Vitória pretende recorrer ao Fair Play

Além da ação que já tramita na CNRD, o Vitória pretende recorrer à Agência de Fair Play da CBF a partir de 1º de novembro, buscando acelerar a recuperação dos valores relacionados à transferência de Wagner Leonardo.

O diretor de futebol do Vitória, Sérgio Papellin, já afirmou publicamente que o Grêmio ainda possui uma dívida milionária com o clube baiano e que o dinheiro faz falta ao planejamento financeiro rubro-negro.

Um detalhe importante, porém, precisa ser destacado: a restrição aplicada ao Grêmio nesta terça-feira não foi provocada diretamente pela dívida com o Vitória. A medida decorre do plano coletivo apresentado pelo clube gaúcho para reorganizar seus débitos. A pendência com o Rubro-Negro é apenas uma das questões financeiras que estão no radar.

Novo capítulo de uma disputa que se arrasta

O episódio mostra como problemas financeiros de uma negociação podem provocar consequências em cadeia no futebol brasileiro. No caso de Wagner Leonardo, uma dívida envolvendo Grêmio, Vitória e Portimonense acabou contribuindo para que o clube baiano também enfrentasse dificuldades para registrar jogadores.

Agora, com o Grêmio sob as novas regras do Fair Play Financeiro e obrigado a prestar contas de sua situação econômica, o Vitória ganha uma nova oportunidade de pressionar pela solução da dívida.

A expectativa é que a disputa avance nos próximos meses, especialmente a partir de novembro, quando o clube baiano pretende levar a cobrança à Agência de Fair Play da CBF.

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