Política

Presidente do TRE-BA diz ter sofrido ameaça de Marcelo Nilo durante julgamento e caso vai ao Ministério Público

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman, afirmou nesta quinta-feira (13) ter recebido um áudio do deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) que, segundo o magistrado, teria caráter de ameaça e tentativa de intimidação durante um processo eleitoral.

O episódio foi revelado durante uma sessão do plenário do TRE-BA. Kertzman afirmou que recebeu a mensagem na noite da última sexta-feira (7), após participar de um julgamento envolvendo interesses eleitorais de Marcelo Nilo.

Segundo o desembargador, o áudio foi enviado pelo WhatsApp em formato de visualização única. Por considerar a mensagem suspeita, ele afirmou que tomou medidas para documentar o conteúdo antes de levá-lo ao conhecimento dos demais integrantes da Corte.

Na gravação, cuja voz foi atribuída a Marcelo Nilo, o parlamentar afirma que, caso o magistrado continuasse agindo contra seus interesses, um suposto dossiê seria divulgado.

“Se você continuar fazendo essa sacanagem que está fazendo comigo, a serviço de Rui dos Respiradores, pode ter certeza que a Bahia toda vai ver o dossiê. Represália, viu!”, diz o trecho divulgado durante a sessão.

Kertzman afirmou que havia proferido voto desfavorável a Nilo e levantou a possibilidade de que o envio do áudio tivesse como objetivo provocar sua suspeição e afastá-lo do julgamento.

Apesar do episódio, o presidente do TRE-BA declarou que não se considera impedido de continuar participando dos processos relacionados ao parlamentar.

“Se a intenção foi apenas causar a minha suspeição, eu não me considero suspeito, mesmo após entender esse áudio. Pessoalmente, não tenho nada a temer, minha vida é um livro aberto”, afirmou.

O desembargador também destacou que a divulgação do episódio não seria uma questão de ordem pessoal, mas uma forma de preservar a independência da magistratura e garantir que os integrantes da Corte possam votar livremente.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e ao Ministério Público Federal (MPF), que deverão avaliar o conteúdo da mensagem e verificar se houve prática de crime comum ou eleitoral.

Marcelo Nilo nega as acusações

Após a denúncia, Marcelo Nilo apresentou sua versão sobre o episódio. O deputado afirmou que não possui problema pessoal com Kertzman e classificou o conflito como político.

Segundo Nilo, ele teria procurado o presidente do TRE-BA para questionar decisões tomadas em processos nos quais o placar estaria empatado. O parlamentar afirmou que considerava injusto o fato de o magistrado votar contra seus interesses nesses casos.

Nilo também confirmou a existência de um suposto dossiê e afirmou que pretende apresentar o conteúdo na tribuna da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (18).

De acordo com o parlamentar, os documentos teriam sido entregues a ele por seis desembargadores. Até o momento, porém, o conteúdo do suposto dossiê não foi apresentado publicamente nem teve suas acusações verificadas de forma independente.

O deputado também negou que tenha tido a intenção de ameaçar o presidente do TRE-BA e afirmou que pretende levar a disputa para o campo político.

Caso pode ter desdobramentos jurídicos

O episódio já passou a ser analisado sob a perspectiva jurídica. Especialistas ouvidos pelo BNews avaliaram que uma eventual tentativa de pressionar ou intimidar um magistrado durante um julgamento pode ultrapassar os limites de uma disputa política e ter consequências criminais.

Neste momento, contudo, não há conclusão definitiva sobre eventual crime. O material foi encaminhado às autoridades competentes, que deverão analisar o áudio, o contexto em que foi enviado e as circunstâncias envolvendo os julgamentos.

O caso coloca sob atenção a relação entre o ambiente político e a Justiça Eleitoral em meio às eleições de 2026, especialmente porque Marcelo Nilo é candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados.

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