Tributos: R$ 2 trilhões em impostos e um recado do governo: “pode gritar”
Na tarde desta quinta-feira (3), o Impostômetro — painel instalado na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) — atingiu a marca simbólica (e pesada) de R$ 2 trilhões em impostos pagos pelos brasileiros só em 2025. Um número que cresce ano após ano, mas que segue sem o devido retorno em saúde, educação, segurança ou infraestrutura.
O mesmo painel indica que, até agora, já trabalhamos 149 dias do ano só para alimentar a máquina pública — dois dias a mais do que em 2024.
O número, que representa tudo o que pagamos em impostos, taxas, multas, contribuições, juros e correções, é 11,1% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Em 2024, a marca de R$ 1,8 trilhão foi atingida por volta da mesma época. Para se ter ideia, a primeira vez que o país atingiu R$ 2 trilhões em arrecadação foi em 9 de dezembro de 2015. Em 2025, esse número chegou com mais de cinco meses de antecedência.
Os campeões de arrecadação continuam sendo os mesmos: Imposto de Renda, ICMS, IPVA e IPTU. Pesam no bolso de quem trabalha, de quem consome e, principalmente, de quem sobrevive com salário mínimo.
Mesmo assim, enquanto o brasileiro aperta o cinto e reza para escapar de mais um reajuste, o governo ensaia aumentar ainda mais a carga com a possível elevação do IOF. E a resposta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, àqueles que demonstraram incômodo com a medida? Simples e direta: “pode gritar”.
O problema é que o brasileiro já grita. Mas ninguém escuta. Grita por hospitais que funcionem, por escolas de qualidade, por transporte digno e segurança mínima. Grita quando percebe que, apesar de tudo que paga, segue abandonado. Grita por não aguentar mais ver um Estado arrecadador que pouco devolve e muito desperdiça.
Chegamos aos R$ 2 trilhões. E o que temos para comemorar?

