Soteropolitanos afirmam passar mais tempo à espera de coletivo em terminais e pontos de ônibus de Salvador
Engana-se quem pensa que apenas a violência domina as atenções dos soteropolitanos. Ao ouvir vários usuários e moradores da Capital Baiana, transporte público de Salvador tem sido alvo constante de críticas, sobretudo pela falta de ônibus em terminais e pontos da cidade. As reclamações são direcionadas às longas filas e esperas prolongadas que fazem parte da rotina dos passageiros.
Não por acaso, uma pesquisa do Instituto RealTime Big Data, realizada em abril de 2025, apontou que 63% dos soteropolitanos reprovavam o transporte coletivo da capital. Cinco meses depois, a percepção dos usuários é de que o serviço não apenas continua ruim, mas piorou, marcado por atrasos, longas filas e a redução da frota em circulação.
No Acesso Norte, as queixas mais comuns são a baixa frequência dos coletivos e a superlotação nos horários de pico. À noite, o problema se agrava: linhas que atingem intervalo de quase uma hora, obrigando os passageiros a aguardar em um terminal com pouca estrutura de segurança. Relatos de usuários apontam que mulheres e idosos são os mais afetados, já que ficam expostos à vulnerabilidade em um espaço de intenso movimento, mas sem conforto ou vigilância adequada.
“Eu saio do trabalho às 20h e, muitas vezes, só consigo pegar o ônibus depois das 21h30. Fico mais de uma hora esperando no Acesso Norte. A sensação é de abandono. Parece que a gente não tem direito de voltar para casa com dignidade”, desabafa Ana Souza, 34 anos, moradora de Cajazeiras.
“Para Patrícia dos Santos, a impressão é de que, a cada dia, a cidade conta com menos ônibus em circulação. ‘Parece que estamos sendo deixados de lado’, protesta, reforçando a queixa de longas filas e do caos nos terminais.”
De acordo com estudo do Observatório da Mobilidade da UFBA, Salvador perdeu cerca de 700 ônibus na última década, o que representa uma queda de mais de 30% da frota. Além disso, 134 linhas foram extintas ou tiveram itinerários reduzidos, sobrecarregando as que restaram e deixando usuários sem alternativas viáveis de deslocamento.
Especialistas defendem que os problemas decorrem da falta de investimento contínuo na frota, da ausência de planejamento para horários críticos e da necessidade de maior transparência sobre cortes de linhas.
Entramos em contato com a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob), para questionar sobre as queixas relatadas pelos usuários. Até o fechamento desta matéria, a pasta não havia se manifestado.
Enquanto isso, para o cidadão comum, a rotina no Acesso Norte e em outros terminais continuam marcadas por filas longas, atrasos e incertezas.

