Opinião

Réveillon de Salvador ou de Goiânia? Anúncio de Jorge & Mateus reacende crítica sobre desvalorização da cultura baiana

O prefeito Bruno Reis (União Brasil) anunciou neste sábado (23) a primeira atração do Festival Virada Salvador 2026: a dupla sertaneja Jorge & Mateus. A revelação foi feita em tom de brincadeira nas redes sociais, mas não trouxe nenhuma novidade. Pelo contrário, reforçou um padrão já conhecido da gestão: gastar altos valores com artistas de fora, enquanto a música baiana segue em segundo plano.

Não é a primeira vez. Em 2024, a mesma dupla já havia se apresentado na noite da virada, repetindo uma fórmula que distancia o evento de sua própria identidade cultural. Salvador, berço do axé, do pagode e de tantos outros ritmos que projetaram a cidade para o mundo, vê seu maior festival de fim de ano se tornar palco de atrações que pouco representam a cultura local.

A crítica é inevitável: ao invés de investir em artistas da terra e transformar o Festival Virada em vitrine da música baiana, a Prefeitura insiste em importar nomes que poderiam facilmente estar em qualquer evento do país. O resultado é um Réveillon grandioso em público e estrutura, mas pobre em autenticidade.

Afinal, de que adianta reunir quase um milhão de pessoas se a festa não celebra o que Salvador tem de mais valioso, se não a sua própria cultura?

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