Política

Pesquisa aponta polarização entre ACM Neto e Jerônimo e expõe o continuísmo político na Bahia

A corrida pelo governo da Bahia em 2026 começa a tomar forma e traz consigo um retrato já conhecido pelo eleitor baiano: um duelo entre velhas lideranças políticas, marcado mais pela falta de inovação do que por propostas consistentes. Levantamento divulgado pela Quaest nesta sexta-feira (22) coloca o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), na dianteira com 41% das intenções de voto, seguido de perto pelo atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que aparece com 34%.

Na prática, a diferença de sete pontos percentuais se estreita quando considerada a margem de erro, de três pontos. Isso significa que, tecnicamente, Neto e Jerônimo podem estar nas intenções de votos, um sinal de que a eleição baiana promete ser novamente polarizada, mas não necessariamente qualificada.

Segundo a pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre 13 e 17 de agosto, foram ouvidos 1.200 eleitores baianos com 16 anos ou mais. O estudo também revelou que o governo de Jerônimo Rodrigues tem atualmente 59% de aprovação, um número expressivo, mas em queda quando comparado a fevereiro de 2025, quando o petista registrava 61%.

Na corrida eleitoral, os demais nomes praticamente não aparecem: João Roma (PL) soma apenas 4%, Kleber Rosa (PSOL) tem 2%, e José Aleluia (Novo) aparece com 1%. Já 14% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco, nulo ou que não irão às urnas.

Apesar de liderarem a disputa, tanto ACM Neto quanto Jerônimo Rodrigues enfrentam desgastes significativos.

Neto, mesmo após quase duas décadas se apresentando como alternativa ao PT, ainda não conseguiu se firmar como uma verdadeira ruptura com o modelo que domina a Bahia desde 2007. Seu discurso moderno contrasta com alianças que remetem ao que há de mais tradicional no velho jogo político, com a farsa de alimentar o anti-petismo na Bahia, enquanto em Brasília passeia de braços dados com o Governo Lula, com seu partido União Brasil sustentando ministérios, em total discrepância da retórica proferidas quando se direciona ao estado.

Além disso, a derrota em 2022, quando liderava todas as pesquisas e perdeu a eleição no segundo turno, deixou a marca da falta de mobilização em momentos decisivos.

Jerônimo, por sua vez, carrega o peso de um governo que mantém a Bahia nas piores posições em indicadores de segurança pública, educação e saúde, apesar da alta aprovação momentânea. O governador segue a cartilha petista de programas sociais e discursos progressistas, mas não conseguiu, até agora, traduzir isso em melhorias palpáveis para os baianos. A alta aprovação pode estar mais vinculada ao histórico eleitoral do PT no estado do que a resultados concretos.

Eleitores sem saída

A leitura que emerge é que os baianos, mais uma vez, parecem sem saída diante das opções colocadas. De um lado, um herdeiro político que não conseguiu romper com as práticas antigas; de outro, um governo que insiste em repetir promessas que se arrastam há anos sem solução. Entre eles, nomes da chamada “terceira via” praticamente não conseguem se firmar, como Roma, que preferiu trocar a hegemonia do PL por apoio ao próprio Neto; Rosa, com sua extrema-esquerda; e Aleluia, que se perdeu no tempo, por se colocar sempre abaixo das asas do velho ACM.

O dado mais revelador talvez esteja nos 14% de eleitores que já declaram não querer participar do jogo: os brancos, nulos e indecisos. Esse grupo, maior que qualquer candidatura alternativa, traduz um sentimento crescente de desalento com a política baiana.

No fim, a pesquisa revela mais do que números: mostra que a Bahia segue refém de uma polarização que não entrega resultados e que não abre espaço para uma verdadeira renovação.

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