Pais de atletas baianos culpam a Sudesb por falta de planejamento logístico nos Jogos Escolares 2025
O brilho de uma conquista para vários estudantes baianos deu lugar à frustração. Jovens atletas da Bahia que participaram dos Jogos Escolares Brasileiros (JEB’s) 2025, em Uberlândia (MG), voltaram para casa com a sensação de terem sido esquecidos pelo próprio Estado. O que deveria representar incentivo ao esporte de base se transformou em um retrato de desorganização e abandono.
De acordo com o relato de um dos pais, que preferiu não se identificar, o apoio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) foi insuficiente desde o início. Segundo ele, faltou clareza nas informações sobre viagem, hospedagem e até no cronograma de competição. “Tudo foi feito às pressas. Não sabíamos quando nem onde os atletas ficariam. Ninguém respondia aos questionamentos, mesmo com o torneio batendo à porta”, contou.
O resultado dessa falta de planejamento foi uma hospedagem improvisada em um município distante cerca de 50 minutos de Uberlândia, obrigando os jovens baianos a acordar antes do amanhecer para chegar aos locais de disputa. “Enquanto as delegações de outros estados descansavam até as 7h, os nossos meninos levantavam às 5h, lamentou o pai.
Os transtornos não pararam por aí. No retorno, os atletas enfrentaram uma verdadeira maratona logística. Sem voos diretos de Uberlândia para Salvador, a Sudesb teria optado por enviar o grupo de ônibus até Goiânia, de onde seguiram para Brasília e, só então, embarcaram para a capital baiana, em uma viagem longa e exaustiva, incompatível com o esforço físico exigido durante a competição.
Em resposta, a Sudesb afirmou que a responsabilidade pela organização da etapa nacional dos JEB’s é da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), incluindo hospedagem, alimentação e definição da cidade-sede. O órgão ainda justificou as dificuldades de transporte, citando a inexistência de voos diretos entre Salvador e Uberlândia.
O episódio expõe um problema crônico na política esportiva da Bahia: a ausência de gestão eficiente e investimento real no esporte estudantil. A negligência com a base revela uma contradição, enquanto discursos oficiais exaltam o incentivo ao esporte, na prática, o que se vê é improviso e falta de compromisso com os jovens talentos.

