Oposição derrota governo e vai liderar CPMI do INSS no Congresso
A eleição para a presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que vai investigar o escândalo de desvio nos pagamentos de aposentados e pensionistas do órgão nacional, movimentou o Congresso Nacional nesta quarta-feira (20). Com 17 votos a favor e 14 contra, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi escolhido para comandar os trabalhos do colegiado, superando o senador Omar Aziz (PSD-AM), candidato apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A vitória de Viana foi construída com o apoio da oposição, que concentrou esforços em sua candidatura após a retirada do senador Eduardo Girão (Novo-CE) da disputa. O gesto de Girão fortaleceu a chapa de Viana, que conseguiu se impor contra a articulação governista liderada por Alcolumbre.
O resultado representou um revés para o governo federal, que via na candidatura de Omar Aziz uma forma de manter influência sobre a comissão. A condução dos trabalhos agora ficará sob a liderança de Viana, que anunciou o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) como relator da CPMI.
A escolha do relator, no entanto, gerou novo atrito entre as casas legislativas. Isso porque o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), havia indicado o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para a função, mas acabou preterido pela decisão de Viana.
Instalada para investigar desvios, fraudes e descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a CPMI é composta por 32 membros titulares — sendo 16 deputados e 16 senadores — além de suplentes na mesma proporção.
Com a definição da presidência e da relatoria, os trabalhos do colegiado devem começar a avançar nos próximos dias, prometendo novos embates políticos e revelações sobre a gestão do INSS.

