Opinião

O caos do Transporte Metropolitano de Salvador

Desorganização e descaso marcam a rotina de quem depende do transporte de ida e volta à capital baiana

O que deveria ser um sistema de transporte público capaz de integrar os municípios vizinhos à capital baiana de forma organizada, acessível e eficiente, tornou-se, na prática, um retrato do descaso e desordem. O transporte metropolitano, que atende à Região Metropolitana de Salvador, transforma o dia a dia de milhares de usuários em um verdadeiro teste de paciência, resistência e sobrevivência urbana.

Nesta série especial do Orlanews, vamos mergulhar nos bastidores do sistema rodoviário que liga cidades como Camaçari, Lauro de Freitas, Simões Filho e Dias D’Ávila a Salvador. Analisaremos os principais problemas enfrentados pelos passageiros, investigaremos a responsabilidade dos entes públicos e privados e daremos voz a quem mais sofre com esse cenário caótico: o cidadão comum, consumidor final de um serviço considerado por muitos como ineficiente, caro e mal administrado.

A Região Metropolitana de Salvador (RMS) é formada por 13 municípios, com destaque para Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho, Dias D’Ávila, Madre de Deus e São Sebastião do Passé. O sistema transporta cerca de 400 mil pessoas por dia, em viagens de ida e volta de Salvador e dessas cidades, para estudar, trabalhar ou em busca serviços.

Quem opera o sistema?

O sistema é composto por empresas privadas, que operam sem licitação, distribuídos em linhas intermunicipais, assegurados por monopólios, autorizados pelo Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA). Dentre as principais operadoras estão a Avanço Transportes, Expresso Metropolitano, Atlântico Transportes e a Expresso Vitória. Esta última, detém a maioria das linhas metropolitanas e, consequentemente, lidera o ranking de reclamações dos usuários, que pouco têm a quem recorrer.

Após a implantação do metrô de Salvador, as empresas passaram a se queixar de perdas financeiras com a divisão da tarifa: 60% do valor fica com a CCR Metrô Bahia (operadora do sistema metroviário), enquanto os 40% restantes são divididos entre as empresas de ônibus. A partilha é considerada injusta pela maioria das operadoras do sistema, que, nos últimos anos, viu uma debandada de empresas alegando falência.

A promessa
Quando o metrô foi implantado em Salvador, há exatos 10 anos, o Governo do Estado prometeu um sistema integrado, com frota composta por ônibus novos e com ar-condicionado.

Uma década depois, apenas parte das promessas foi cumprida. A integração plena só ocorre no Centro Administrativo de Salvador e na linha da CCR que liga a Estação Aeroporto ao Aeroporto Luís Eduardo Magalhães. Parte da frota da Atlântico Transportes, que atende o Litoral Norte, também se modernizou. No entanto, a maior parte dos usuários das 52 linhas metropolitanas ainda convivem diariamente com sérios problemas para utilizar o serviço.

Ao longo dos próximos capítulos, vamos fazer abordar o problema de quem convive esse sistema, analisar os pontos críticos da operação e entender por que Salvador e sua região metropolitana ainda não conseguiram oferecer um transporte digno e eficiente, apesar das promessas do Estado e das prefeituras.

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