Mensagem a Moraes no dia da prisão de banqueiro levanta questionamentos sobre proximidade com ministro do STF
Uma revelação envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, voltou a acender o debate sobre a relação entre autoridades do Judiciário e investigados em grandes casos financeiros no Brasil.
De acordo com informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, uma perícia realizada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro identificou uma troca de mensagens com Moraes justamente no dia em que o banqueiro foi preso, em novembro do ano passado, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Segundo os dados extraídos do aparelho, às 7h19 da manhã, poucas horas antes da detenção, Vorcaro enviou ao ministro uma mensagem pelo WhatsApp com o seguinte teor: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
O histórico do aplicativo indica que houve resposta do ministro logo em seguida. No entanto, o conteúdo das mensagens não pôde ser recuperado pelos investigadores porque teriam sido enviadas no formato de visualização única, recurso que faz o texto desaparecer após ser aberto.
Vorcaro foi preso no mesmo dia, por volta das 22h, quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala prevista em Malta.
Outras conversas e ligações
A análise do celular também revelou que não foi a única interação entre os dois. Investigadores identificaram outro registro de conversa datado de 1º de outubro de 2025, cujo conteúdo igualmente não foi recuperado, possivelmente por ter sido apagado ou enviado com o mesmo mecanismo de mensagens temporárias.
Além disso, o histórico do aparelho indica a existência de ligações telefônicas entre Vorcaro e o ministro, embora o teor dessas chamadas não possa ser acessado.
Apesar das evidências registradas na perícia, a assessoria do Supremo Tribunal Federal negou a existência das mensagens e classificou a informação como uma tentativa de atacar a Corte.
Entre a suspeita e a transparência
O episódio adiciona mais um capítulo à já delicada discussão sobre a proximidade entre poder econômico e autoridades públicas. Ainda que a simples existência de contatos não configure crime, a circunstância em que eles ocorreram, poucas horas antes da prisão de um empresário investigado, inevitavelmente levanta questionamentos sobre conflitos de interesse e influência nos bastidores do poder.

