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Manifestante invade Câmara de Salvador para cobrar providências após mulher morrer implorando por oxigênio em UPA de Salvador

Um protesto inesperado marcou a sessão ordinária desta quarta-feira (12) na Câmara Municipal de Salvador (CMS). Um homem, identificado como Muzenza, invadiu o plenário para exigir respostas dos vereadores sobre a morte de Adnailda Souza Santos, 43 anos, que faleceu implorando por oxigênio dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de Pau Miúdo. Durante o ato, o presidente da sessão, Maurício Trindade (PP), solicitou uma intervenção da Polícia Militar para retirar o manifestante do recinto.

O caso de Adnailda é investigado de uma possível negligência no sistema de saúde pública de Salvador. Na terça-feira (11), ela chegou à UPA já apresentando sinais de desespero e clamando por socorro. Em um vídeo gravado pelo marido, Sidnei Monteiro de Jesus, é possível ouvir os gritos de Adnailda enquanto ela suplicava por oxigênio: “Eu não quero morrer, por favor, me bote no oxigênio”. Mesmo com médicos presentes na unidade, o suporte necessário não foi oferecido.

A situação gerou revolta entre familiares e lideranças comunitárias. O pastor Paulo Britto, cunhado da vítima, afirmou em entrevista ao BNEWS que a única “ameaça” presente no local era o cor da pele do paciente. “A única ameaça que tinha era no nosso cor da pele, porque ninguém estava ameaçando ninguém. A única coisa que ela dizia era: ‘Eu não quero morrer, por favor, me bote no oxigênio’, e o médico achou que ela estava brincando”, declarou.

 

Manifestante invade Câmara de Salvador para cobrar providências após mulher morrer implorando por oxigênio em UPA de Salvador 1

Adnailda passou o dia inteiro buscando atendimento em diferentes unidades de saúde, mas não obteve sucesso. Às 17h, ela chegou à UPA de Pau Miúdo, onde seu estado de saúde se agravou rapidamente. Por volta das 20h, já em frente ao consultório, ela gritava: “Gente, estou sem ar”. Familiares denunciaram que funcionários da UPA acionaram a Polícia Militar durante o episódio, agravando ainda mais o sofrimento da família.

O protesto de Muzenza na CMS reflete a indignação da comunidade diante da tragédia. “Vim aqui para cobrar exceções dos vereadores. Isso não pode ficar impune”, afirmou o líder comunitário antes de ser retirado da polícia local.

A morte de Adnailda reacende o debate sobre a qualidade do atendimento nas unidades públicas de saúde e expõe fragilidades que colocam vidas em risco. Enquanto as autoridades tentam apaziguar os ânimos, a população pede investigação rigorosa e medidas concretas para evitar novos casos de crime contra a pessoa humana como esse.

OrlaNews

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