Esporte

Jogadoras de vôlei universitário nos EUA denunciam colega trans e acusam escola de silenciamento após lesões em treino

Jogadoras de vôlei feminino do Santa Rosa Junior College (SRJC), na Califórnia, formalizaram uma denúncia ao abrigo do Título IX contra a instituição após afirmarem que sofreram danos físicos e retaliações por se manifestarem contra a presença de uma atleta transgênero em sua equipe.

As irmãs Madison Shaw e Gracie Shaw, além da colega Brielle Galli, relataram em entrevista à Fox News, que a convivência com a companheira trans trouxe consequências físicas e emocionais, além de embates com a administração da escola.

Relatos de lesões em quadra

Madison afirmou que, durante um treino na primavera passada, presenciou a atleta trans atingir a bola com tamanha força que causou uma concussão em sua colega de equipe, a ex-jogadora Kiana Walker.

“Teve tanta força e tanto impacto na cabeça da minha colega de equipe que resultou em uma concussão. Ela ficou fora por duas semanas no segundo ano e ficou chateada. E, obviamente, lesões acontecem, é inevitável, especialmente em um esporte de contato, mas esta em particular poderia ter sido evitada se não tivéssemos esse atleta masculino na equipe”, disse Madison. 

Madison disse que a companheira de equipe era a ex-jogadora Kiana Walker. 

Gracie também relatou ter sido atingida no rosto, em agosto, por uma bola cortada pela mesma atleta:

“Doeu muito… veio tão rápido no meu rosto que nem tive tempo de reagir. Foi mais forte do que qualquer pancada que já recebi de outras jogadoras femininas”, contou.

Denúncia de silenciamento e retaliação

As jogadoras também afirmaram que, desde o início, comunicaram à treinadora, ao diretor atlético e ao coordenador do Título IX que não se sentiriam seguras para competir enquanto a atleta trans permanecesse na equipe.

Segundo elas, a administração do SRJC recusou o pedido e ainda teria restringido tentativas das atletas de expor sua decisão ao restante do time.

“Nosso treinador disse que eu não poderia contar meus motivos para deixar a quadra, porque precisávamos respeitar a privacidade do atleta masculino”, afirmou Madison.

Gracie acrescentou que até uma reunião virtual para tratar do assunto foi esvaziada pela interferência da treinadora, que teria desestimulado a participação das demais jogadoras.

Posição da instituição

Em nota enviada à imprensa, o Santa Rosa Junior College declarou estar comprometido em manter um ambiente inclusivo e que cumpre as regras da Associação Atlética de Faculdades Comunitárias da Califórnia (3C2A).

“Respeitamos os direitos legais de privacidade de todos os alunos e não podemos discutir circunstâncias individuais. O SRJC leva todas as denúncias a sério e responde por meio de procedimentos estabelecidos”, afirmou a instituição.

Contexto mais amplo

A controvérsia se insere em um debate crescente nos Estados Unidos sobre a participação de atletas trans em equipes femininas. A Califórnia tem sido palco de disputas jurídicas nesse campo: o Departamento de Educação do estado é alvo de processo do Departamento de Justiça por manter políticas que permitem a participação de atletas trans em modalidades femininas.

No ano passado, a Universidade Estadual de San Jose também enfrentou investigação federal após questionamentos envolvendo uma jogadora trans no time de vôlei. No ensino médio, episódios semelhantes já resultaram na desistência de atletas e cancelamento de partidas.

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