Jerônimo Rodrigues volta a adiar entrega da nova rodoviária e minimiza atrasos
A entrega da nova rodoviária de Salvador, localizada em Águas Claras, às margens da BR-324, se tornou um dos maiores símbolos da lentidão e da falta de comprometimento do poder público com prazos e eficiência na Bahia. Iniciada em 2019, durante a gestão de Rui Costa, a obra continua inacabada sob o governo Jerônimo Rodrigues (PT), que já admite sucessivos atrasos no cronograma de execução da obra.
O contrato foi assinado em 3 de dezembro de 2019 entre o governo estadual e o consórcio formado pelas empresas Sinart e AJJ Participações. O valor inicial era de R$ 120 milhões, com prazo de 30 meses para conclusão após a fase de projeto, o que previa a entrega até o fim de 2022.
Em 2025, novas estimativas apontaram acréscimos de até R$ 200 milhões, reflexo direto de aditivos e ajustes motivados pela ineficiência administrativa e técnica. Além disso, a concessionária confirmou custos adicionais de mais R$ 50 milhões, elevando o valor total da obra para cerca de R$ 250 milhões, mais que o dobro do orçamento inicial.
Três anos após o início das obras, a promessa de entrega continua fora da realidade. Neste mês, o governo voltou a adiar o cronograma: o que seria entregue em outubro foi remarcado para dezembro. Pouco depois, o próprio governador admitiu que a inauguração “pode ocorrer apenas no início de janeiro de 2026”, escancarando a falta de planejamento e a desorganização que marcam o projeto desde o início.
Entre as justificativas apresentadas pelo governo, estão problemas no solo da área de Águas Claras, chuvas e pendências com a empresa contratada. Nenhuma delas, no entanto, explica a falta de fiscalização rigorosa e a ausência de medidas preventivas capazes de evitar o acúmulo de atrasos e custos.
Apesar do cenário recheado de ineficiência, o governador Jerônimo Rodrigues preferiu minimizar a situação. Durante um evento nesta quarta-feira (22), ele afirmou que “temos uma rodoviária que dá conta da demanda” e que trabalha para entregar “uma rodoviária maior, ligada com o metrô e o VLT”. Disse ainda que, se houver descumprimento contratual, e “multas serão aplicadas”, mas sem apresentar qualquer nova data de entrega.
A construção da nova rodoviária de Salvador se tornou um retrato fiel das dificuldades de execução de grandes obras públicas na Bahia: prazos descumpridos, aditivos milionários e promessas repetidas. O discurso de que “a rodoviária atual ainda atende” soa como tentativa de normalizar o atraso e reduzir a cobrança da população.
Para os soteropolitanos, o que resta é a expectativa e a desconfiança, de que o terminal moderno, prometido há mais de cinco anos, um dia finalmente saia do papel.

