Opinião

Indústria brasileira perde 15 mil empregos após tarifaço dos EUA, aponta estudo do Inter

O recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros começa a cobrar seu preço. Segundo estudo do Banco Inter, 15 mil empregos industriais foram perdidos entre agosto e setembro, um baque direto num setor que, apesar dos discursos oficiais, segue fragilizado e dependente de mercados externos estratégicos.

Os dados mostram um cenário preocupante: São Paulo, motor da indústria nacional, carregou mais de 25% das demissões, com forte impacto no setor de alimentação e, sobretudo, na cadeia do açúcar. No Sul, o prejuízo também foi sentido, com 4.500 postos fechados, principalmente no setor de bens de capital — máquinas e equipamentos, justamente aqueles que impulsionam a produtividade do país.

Ou seja: não estamos falando apenas de números frios. São famílias atingidas, empresas pressionadas e cadeias produtivas inteiras submetidas a incertezas.

O governo chegou atrasado ao jogo

O mais grave, contudo, não são apenas as demissões. É a demora do governo Lula em reagir a um movimento que já era anunciado. O Planalto preferiu ao enfrentamento, alinhado a retórica ideológica multilateral, enquanto o setor produtivo via a tempestade se formar.

A diplomacia brasileira, historicamente respeitada pela agilidade e capacidade de antecipação, parece hoje mais preocupada em preservar alinhamentos ideológicos do que defender com firmeza os interesses econômicos do país.

O governo afirma que trabalha por uma reaproximação comercial com os EUA. Mas, na prática, a reação veio tardia e tímida. Num cenário em que grandes potências reforçam políticas protecionistas, esperar boa vontade alheia é ingenuidade ou falta de prioridade.

O Brasil precisa parar de reagir tarde

Limitar os impactos do tarifaço agora virou missão. Porém, fica a sensação incômoda: se o governo tivesse agido com a urgência necessária, talvez parte desse prejuízo pudesse ter sido evitado.

O país não pode continuar assistindo de braços cruzados enquanto sua indústria perde competitividade e seus trabalhadores pagam a conta da lentidão política.

O Brasil precisa de um governo que negocie antes da crise, e não depois do estrago feito.

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