Opinião

Há esperança de mudanças para o transporte metropolitano de Salvador?

Chegamos ao sexto e último capítulo da série especial O Caos do Transporte Metropolitano de Salvador. Ao longo das últimas semanas, denunciamos o sucateamento e a desorganização que marcam o sistema de mobilidade na Região Metropolitana. Agora, encerramos a série com um olhar para frente: será que ainda há saída? Neste capítulo final, apontamos caminhos viáveis para transformar o cenário atual e garantir um transporte digno, acessível e eficiente para milhares de baianos que dependem dele todos os dias.

Caminhos para entregar um transporte digno aos usuários

O retrato do transporte metropolitano de Salvador até aqui tem sido marcado por omissão, falta de planejamento e um modelo esgotado. No entanto, apesar do cenário desolador, o futuro não está condenado. Ainda há saídas viáveis para construir um sistema digno, eficiente e humano.

A primeira e talvez mais urgente medida seria a criação de uma autoridade metropolitana de transporte — uma entidade capaz de coordenar e planejar ações entre os 13 municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS), com participação efetiva do Governo do Estado e das prefeituras. Hoje, a ausência de comando cria uma guerra silenciosa por responsabilidades e trava avanços estruturais.

Outra medida, e se não a principal iniciativa, é adequar ou retirar as atuais empresas para padronizar e qualificar o serviço, visando a saída dos ônibus sucateados que operam sem vistorias do próprio órgão estatual, que se omite da responsabilidade.

Além disso, pode-se renovar a frota com veículos elétricos, acessíveis e menos poluentes, modernizando a frota, com planejamento integrado, unindo Estado, municípios e operadores em um projeto de mobilidade de longo prazo.

Mas não basta olhar apenas para os grandes eixos. É necessário investir em mobilidade ativa — como ciclovias, bicicletários e calçadas de qualidade — e em sistemas complementares, como aplicativos regulados, especialmente nas áreas periféricas.

Por fim, nenhuma política será legítima se não passar por quem mais sofre com o caos: o povo. A consulta pública e a participação popular nas decisões sobre transporte precisam sair do papel e se tornar prática de gestão.

Mais do que infraestrutura, o que falta é vontade política. A RMS precisa parar de tratar a mobilidade como gasto e passar a enxergá-la como direito básico e motor do desenvolvimento.

Infelizmente, tais ações são soluções que estão ao alcance do estado e de prefeituras. Elas não partem de ideias mirabolantes, e sim medidas concretas, possíveis e plenamente executáveis. Basta vontade política para tirar o transporte metropolitano do colapso e colocá-lo no rumo da dignidade e eficiência que a população merece.

Por: Josué Nazaré

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