Governo municipal promove três eventos em menos de 15 dias em Arembepe e provoca debate sobre centralização das atividades na orla
A chegada do governo Luiz Caetano ao comando da prefeitura de Camaçari, veio acompanhada de expectativas renovadas para os moradores nos quatro cantos do município. Em resposta, o atual governo declarou desde o início um ritmo acelerado, marcando sua gestão com eventos que chamaram a atenção da população e geraram impacto positivo em determinados setores.
A Virada Cultural do Carnaval, a Feira da Economia Solidária voltada para mulheres empreendedoras e, mais recentemente, o Projeto Verão Costa a Costa, em parceria com o Governo do estado, que acontece no próximo final de semana, são exemplos de iniciativas que mostram dinamismo e intenção de engajamento social. No entanto, há um ponto preocupante que merece ser debatido: a concentração dessas ações somente em Arembepe.
Nos últimos 15 dias, o bairro foi palco de dois grandes eventos, e o terceiro está por vir. Enquanto isso, outras localidades do município permanecem à margem dessas iniciativas, sem receber a mesma atenção ou investimentos. Essa escolha estratégica pode até fazer sentido sob a ótica do turismo e da visibilidade imediata, mas revelar uma priorização desequilibrada que não reflete as necessidades e anseios de um município diversificado como Camaçari.
É inegável que Arembepe tenha um potencial turístico notável, com sua beleza natural e infraestrutura já consolidada. Contudo, reduzir as ações governamentais a um único ponto geográfico é ignorar a complexidade e a pluralidade do território municipal. Ao voltar apenas para um único ponto da orla, o município cria separações nas outras comunidades, que também cobram entretenimento, desenvolvimento, lazer e oportunidades, além de atividades culturais e econômicas que possam fomentar o crescimento local.
A exclusividade das ações em Arembepe pode ser vista como uma espécie de “política do cartão-postal”, onde o governo opta por investir em áreas que garantem retorno rápido em termos de imagem e repercussão, mas negligencia outras regiões que carecem de intervenções igualmente urgentes. Essa abordagem, embora resolvida em um primeiro momento, gera insatisfação e aumenta as desigualdades de tratamento já existentes. Além disso, ela reforça uma visão centralizadora que contraria os princípios de equidade e distribuição de recursos que deveriam nortear qualquer administração pública.
Tomemos como exemplo a Feira da Economia Solidária, que trouxe visibilidade para mulheres empreendedoras. Por que não expandir essa iniciativa para outros bairros e distritos? Da mesma forma, o Projeto Verão Costa a Costa poderia ser adaptado para contemplar praias menos conhecidas ou áreas verdes que também tenham potencial turístico. Ao distribuir melhores seus esforços, o governo não só fortaleceria a economia local como também construiria uma relação mais justa e inclusiva com todos os cidadãos.
Camaçari precisa de uma gestão que dialoge com todas as suas regiões, valorizando tanto o turismo quanto o lado comunitário. Arembepe, sem dúvida, tem muito a oferecer, mas não pode ser o único foco de atenção. Para que o município avance de maneira equilibrada e sustentável, é preciso enxergar além da orla e trabalhar para que cada canto de Camaçari tenha espaço no mapa do desenvolvimento.
O desafio está lançado. Que o dinamismo inicial do governo seja o pontapé para uma política mais inclusiva, onde Arembepe seja apenas uma das várias estrelas que brilham no céu de Camaçari.