Famosa apresentadora da TV americana é alvo de críticas por bloqueio de estrada durante evacuação de tsunami
Em meio ao pânico provocado por um alerta de tsunami no Havaí, moradores que tentavam circular por uma estrada situada dentro da propriedade da apresentadora Oprah Winfrey, dona de uma fazenda de quase 400 hectares em Maui, teria sido bloqueada, impedindo a passagem de carros que tentavam escapar da zona de risco.
Em um vídeo que circula nas redes sociais, um homem desesperado pede ajuda do lado de fora de um portão, supostamente na entrada da propriedade de Oprah. Visivelmente aflito, ele clama: ‘Vamos, Oprah, salve-nos’, enquanto policiais aparecem controlando a movimentação no local.
Diante da repercussão, um porta-voz de Winfrey negou qualquer responsabilidade, afirmando que “assim que ouvimos os alertas de tsunami, contatamos as autoridades locais e a FEMA para garantir que a estrada fosse liberada”.
Apesar da nota oficial, o episódio levantou questionamentos sobre o controle que celebridades e bilionários exercem sobre áreas que, em contextos de crise, poderiam ser fundamentais para salvar vidas. A própria polícia local, segundo o comunicado, estaria no local auxiliando na liberação da via — uma medida que, embora emergencial, só reforça a ideia de que havia algum tipo de restrição anterior à ação estatal.
Essa não é a primeira vez que a propriedade de Oprah Winfrey em Maui se torna alvo de polêmica. Em junho deste ano, dois jovens foram detidos em uma estrada pública que cruza a fazenda, sob suspeita de caça ilegal. Embora as prisões tenham ocorrido fora dos limites da propriedade, o caso deixou evidente o monitoramento constante e as disputas em torno do uso do espaço naquela região.
Enquanto a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, alertava a população sobre os riscos de retornar às áreas afetadas, muitos hawaianos encaravam uma outra ameaça: a dificuldade de acessar rotas de fuga em uma ilha cada vez mais marcada pela presença de grandes proprietários privados.
Num cenário em que o risco é coletivo, o controle privado sobre rotas estratégicas escancara uma realidade desconfortável: até que ponto a riqueza e o prestígio justificam a barreira entre o privilégio e a sobrevivência?

