Empresários do setor musical acusam o governo da Bahia de atrasos e falam em “calote institucional”
Empresários e produtores do setor musical acusam o Governo do Estado da Bahia de atrasar pagamentos referentes a contratações artísticas realizadas para eventos oficiais, classificando a situação como um “verdadeiro calote institucional”. As denúncias foram relatadas ao site Informe Baiano neste sábado (21).
De acordo com os empresários, há valores pendentes que se acumulam há anos. Um produtor, que preferiu não se identificar, afirmou ter cachês em aberto desde 2023, passando por 2024 e 2025, chegando até contratos firmados em 2026. “O governo é o maior caloteiro do Estado. Os donos de bandas estão revoltados”, desabafou.
Segundo os relatos, os problemas teriam começado ainda no período de atuação da Bahiatursa, quando diversas bandas teriam ficado sem receber pelos serviços prestados. Mesmo após a extinção do órgão e a criação da Sufotur, os atrasos teriam continuado. “Depois colocaram a culpa no staff, mas quem contratou foi o governo”, afirmou outro produtor.
Empresários relatam ainda que, quando a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur) passou a assumir parte das contratações, houve inicialmente uma regularização dos pagamentos. No entanto, novos atrasos voltaram a ser registrados. Segundo o setor, a maioria das bandas que se apresentou no último São João ainda não recebeu os cachês devidos. “Só recebe quem Adolpho autoriza”, disse um representante, sem detalhar o cargo ou a função mencionada.
Os produtores também alegam que o Estado teria recebido emendas parlamentares destinadas aos festejos juninos, mas que os recursos não teriam sido repassados aos contratados. Há empresários que afirmam ter valores individuais superiores a R$ 40 milhões a receber.
Estimativas do próprio setor apontam que a Sufotur acumularia uma dívida superior a R$ 500 milhões, enquanto os débitos atribuídos à Setur ultrapassariam R$ 380 milhões. Diante do cenário, cresce a articulação de um movimento coletivo para pressionar o governo estadual.
A principal proposta em discussão é um boicote aos festejos juninos do próximo ano, com a recusa em se apresentar enquanto os pagamentos não forem regularizados. “Só toca quando pagar”, resumiu um dos representantes do setor.
Até o momento, o governo do Estado não se manifestou oficialmente sobre as acusações.

