Política

Empresa ligada à nora de Jaques Wagner aparece em folha de pagamentos do Banco Master

O escândalo envolvendo o Banco Master ganha um novo capítulo com a revelação de que uma empresa vinculada à nora do senador Jaques Wagner recebeu pagamentos da instituição financeira, hoje alvo de investigações.

De acordo com informações do site Metrópoles, uma empresa em nome de Bonnie de Bonilha, estudante de psicologia, formada em direito e casada com o enteado do senador, foi contratada pelo banco para atuar na prospecção de operações de crédito consignado.

Bonnie é esposa de Eduardo Sodré, atual secretário de Meio Ambiente da Bahia. Segundo a apuração, os serviços prestados estavam ligados à captação de negócios para o banco, área central das operações que hoje são investigadas por suspeitas de irregularidades.

A defesa da empresa afirma que todos os valores recebidos foram devidamente formalizados por meio de notas fiscais e que há documentação disponível para comprovação dos serviços prestados.

Procurada, Bonnie informou, por meio de sua assessoria, que os esclarecimentos seriam prestados pelo sócio do negócio.

Já Jaques Wagner negou qualquer participação na contratação ou intermediação envolvendo a empresa da nora, afirmando que não teve envolvimento nas negociações e que cabe aos responsáveis diretos explicar os contratos.

Relações anteriores com o banco aumentam pressão

O novo episódio ocorre em meio a uma série de revelações que colocam o nome de Wagner no entorno político do Banco Master.

Reportagens anteriores apontam que o senador teria atuado nos bastidores para aproximar nomes de peso da instituição. Um dos casos mais emblemáticos envolve o ex-ministro Guido Mantega, que foi contratado como consultor com remuneração de cerca de R$ 1 milhão por mês para atuar na articulação de interesses do banco.

Além disso, Wagner admitiu ter indicado o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski para prestar consultoria jurídica ao banco, contrato que rendeu milhões de reais ao escritório ligado ao jurista.

Apesar disso, o senador nega irregularidades e afirma não ter relação com eventuais práticas investigadas.

Escândalo bilionário e investigação em andamento

O caso do Banco Master se insere em um escândalo de grandes proporções que envolve suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e relações com agentes públicos.

A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 2025, após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que apura um esquema bilionário com possível rombo superior a R$ 50 bilhões.

As investigações também apontam a existência de uma estrutura organizada com núcleos voltados à fraude financeira, corrupção institucional e ocultação de patrimônio.

Novo elo amplia desgaste político

A revelação de pagamentos a uma empresa ligada à família de Jaques Wagner reforça a pressão sobre o entorno político do caso e amplia o alcance das suspeitas que já atingiam figuras influentes do cenário nacional.

Embora não haja, até o momento, comprovação de ilegalidade na atuação da empresa, o episódio adiciona mais um elemento sensível a um escândalo que segue em evolução e ainda pode trazer novos desdobramentos no campo político e judicial.

 

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