Política

Dívida Pública Federal bate recorde no governo Lula e ultrapassa R$8 trilhões

A Dívida Pública Federal (DPF) alcançou a marca de R$ 8,25 trilhões em outubro, segundo dados do Banco Central. O número, que assusta à primeira vista, representa um avanço de 1,62% em relação ao mês anterior e já corresponde a 77,6% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Não se trata apenas de uma cifra contábil: é um termômetro claro da dependência do Estado brasileiro de recursos que não produz, apenas toma emprestado.

Para entender a dimensão do problema, é preciso compreender o que essa dívida significa. A DPF é, na prática, o conjunto de todos os empréstimos que o governo faz para cobrir a diferença entre o que arrecada e o que gasta. Quando o caixa não fecha e no Brasil ele raramente fecha, o Tesouro recorre ao mercado, toma dinheiro de investidores e assume o compromisso de devolver tudo depois, acrescido de juros e correções pela taxa Selic.

O próprio Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta esse movimento ascendente: a dívida já está dentro do intervalo previsto pelo governo, entre R$ 8,1 e R$ 8,5 trilhões, e deve fechar o ano ainda maior, entre R$ 8,5 e R$ 8,8 trilhões.

O que motiva essa dívida crescente?

A raiz é conhecida, mas frequentemente ignorada na discussão pública: o Estado brasileiro gasta mais do que arrecada, e gasta mal. E quando um governo insiste em ampliar despesas sem promover reformas estruturais, o resultado é inevitável, recorre-se ao endividamento como solução provisória para um problema permanente.

Programas sociais sem contrapartidas claras, máquina pública inchada, benefícios fiscais concedidos sem avaliação de retorno, despesas obrigatórias que crescem automaticamente e um ambiente político que trata a responsabilidade fiscal como obstáculo e não como fundamento. Tudo isso pressiona o caixa e empurra o país para um ciclo contínuo de dívidas cada vez maiores.

Enquanto isso, a conta dos juros, turbinada por uma Selic ainda elevada, transforma a dívida em um poço sem fundo. A cada novo título emitido, o governo está assumindo não apenas o valor principal, mas um compromisso futuro que cresce na mesma medida em que o Estado se recusa a ajustar seus gastos.

Um alerta que não pode ser ignorado

O crescimento da DPF não é apenas um número técnico para quem acompanha Brasília. Ele afeta diretamente a vida de todos — do preço dos alimentos ao crédito mais caro, da capacidade de investimento do país à confiança de quem pretende empreender.

O Estado brasileiro só encontrará estabilidade quando reconhecer que não existe sustentabilidade econômica sem disciplina fiscal. Em vez de celebrar previsões que “cabem no limite do PAF”, o país deveria estar discutindo por que tais limites aumentam ano após ano.

Se não houver coragem política para cortar privilégios, rever estruturas ineficientes e conter gastos que não dialogam com a realidade do país, o Brasil continuará vivendo à base de dívida e empurrando uma conta bilionária para os próximos anos.

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