Política

Diretor do BC admite que instituição sabia de carteiras “podres” vendidas ao BRB desde março de 2025

Em audiência oficial no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes na venda de carteiras de crédito, Aquino reconheceu que o BC tinha conhecimento, desde março de 2025, de que as carteiras de crédito da empresa Tirreno adquiridas pelo BRB (Banco de Brasília), por R$ 12,2 bilhões, eram “podres” e possivelmente fraudulentas, oito meses antes da liquidação extrajudicial do Banco Master.

O que foi revelado no depoimento

O diretor do BC confirmou que a autarquia fez questionamentos formais ao BRB em março de 2025, demonstrando preocupação com a qualidade dos ativos. A partir desses ofícios, o banco estatal passou a reportar com mais regularidade as características das carteiras que havia adquirido do Master.

Aquino detalhou também que, depois de constatar irregularidades, o BRB iniciou a diligência para substituição dos ativos, buscando compensar as carteiras consideradas inexistentes com outros papéis, como títulos de fundos imobiliários, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), ações e cotas de fundos.

Operação Compliance Zero e liquidação do Master

A própria liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada somente em novembro de 2025, meses após o BC já estar atento às inconsistências nas carteiras vendidas ao BRB. Naquele momento, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para apurar indícios de fraude e possíveis crimes financeiros relacionados à transação.

Reportagens complementares mostraram que parte dessas carteiras eram compostas por fundos e ativos de baixa liquidez ou com forte inadimplência, incluindo papéis ligados a empréstimos vencidos e investimentos em empresas que entraram em recuperação judicial.

Impactos sobre o BRB

Investigadores e documentos oficiais indicam que as aquisições do Master representaram um peso significativo no balanço do BRB. Em alguns relatórios, estima-se que os créditos supostamente forjados comprometeram mais de 20% da carteira de crédito do banco estatal, segundo dados da Justiça.

Além disso, o Banco Central determinou que o BRB constitua provisões de R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis perdas decorrentes dessas operações.

Críticas e questionamentos à atuação do BC

O fato do BC ter conhecimento prévio das irregularidades, mas permitir que a negociação prosseguisse por meses, levanta críticas de especialistas do mercado e de setores do Judiciário. Para muitos analistas, a situação expõe lacunas na supervisão e na fiscalização do sistema financeiro brasileiro, sobretudo em operações complexas de grandes volumes.

Fontes ouvidas por veículos de imprensa apontam ainda que as dificuldades de liquidação de ativos e a ausência de garantias reais tornaram o desfecho desta transação um dos episódios mais danosos aos cofres de um banco estatal nos últimos anos.

Resposta das instituições envolvidas

Até o momento, o BRB classificou as exigências de provisões como medidas de prudência e reforçou que segue com auditorias independentes para mapear o impacto total das operações, sem reconhecer oficialmente o montante de perdas ao público.

O Banco Central, por sua vez, destacou que sua atuação observou os trâmites legais e que as ações de fiscalização e exigências de reservas fazem parte de um processo contínuo de supervisão do sistema financeiro, embora críticos argumentem que a resposta institucional foi tardia diante das evidências de irregularidades.

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