Com oito anos de improviso, passarela da Estrada do Coco é interditada
A passarela localizada no km 09 da BA-099 (Estrada do Coco), na região de Catu de Abrantes, em Camaçari, foi interditada temporariamente na última quarta-feira (19), após a suspeita de furto de partes da estrutura que compõem o equipamento. A Concessionária Litoral Norte, responsável pela via, informou que a medida foi adotada para a realização de ajustes emergenciais e recomposição dos materiais. Enquanto os reparos não são concluídos, a concessionária orienta que pedestres redobrem a atenção ao atravessar a rodovia.
Instalada em 2018 como uma solução provisória, a passarela foi recebida pela comunidade como resposta à longa espera por uma travessia segura. No entanto, a estrutura temporária nunca avançou para a promessa da implantação de um equipamento definitivo, mais amplo, acessível e duradouro. Após quase oito anos de improviso, a interdição expõe não apenas a fragilidade da estrutura, mas também a falta de vigilância, manutenção contínua e investimentos adequados, mantendo moradores e usuários da via em situação de vulnerabilidade.
Apesar de a rodovia cortar áreas urbanas e residenciais de Camaçari, a Prefeitura nunca apresentou um plano estruturado de mobilidade urbana que garantisse a substituição da passarela provisória por uma solução definitiva, com cronograma, orçamento definido e compromisso público claro.
Há nível estadual, embora a concessionária assuma a responsabilidade por intervenções e sinalização, não há indícios de que um projeto consistente de travessias seguras para pedestres tenha sido tratado como prioridade no planejamento da concessão da via ou na fiscalização da Secretaria de Infraestrutura do Estado e da Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia).
A reivindicação por passarelas e travessias seguras na Estrada do Coco não é recente. Ao longo dos anos, moradores e lideranças comunitárias promoveram protestos em diferentes momentos, denunciando a falta de segurança para pedestres, inclusive com bloqueios da rodovia em cobranças por melhorias estruturais. As mobilizações reforçam que a demanda por uma passarela adequada não surgiu com os furtos recentes, mas representa uma necessidade antiga da população, que segue sem solução efetiva.

