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BYD dá rasteira no governo da Bahia e escolhe o Rio de Janeiro para sediar centro de pesquisa

A euforia do governo baiano com a chegada da BYD deu lugar à frustração no último sábado (11). Depois de meses de discursos otimistas e promessas sobre a instalação do centro de pesquisa e inovação da montadora chinesa na Bahia, a empresa confirmou que a unidade será implantada, na verdade, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo próprio prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PSD).

O projeto, segundo a montadora, terá foco em estudos sobre direção autônoma e combustíveis flex, áreas consideradas estratégicas para o futuro da mobilidade sustentável. O centro será construído em um terreno localizado no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) e contará com investimento totalmente privado.

A notícia soa como um banho de água fria para o governo Jerônimo Rodrigues (PT), que havia tratado a parceria como uma conquista consolidada. Em março deste ano, o governador afirmou, em entrevista à Rádio Sociedade, que o centro estava “garantido” na Bahia. Segundo Jerônimo, a promessa teria sido feita diretamente por executivos da BYD durante uma viagem à China. O petista chegou a dizer que o Estado seria o “novo Vale do Silício” brasileiro, sinalizando que a Bahia se tornaria um polo tecnológico da montadora.

No entanto, a realidade mostrou-se diferente. A influência política de Eduardo Paes, aliada à estrutura logística do Rio de Janeiro, parece ter sido determinante para a decisão. O próprio presidente internacional da BYD, Wang Chuanfu, admitiu que foi o prefeito carioca quem convenceu a empresa a instalar o centro no estado fluminense.

Vale lembrar que, há poucos dias, a BYD inaugurou oficialmente sua fábrica em Camaçari, onde antes funcionava o complexo da Ford. O investimento, de mais de R$ 5,5 bilhões, foi celebrado pelo governo baiano como um marco histórico para a indústria automotiva local. Ainda assim, o episódio do centro de pesquisa expõe os limites da influência política e a dificuldade do Estado em garantir que promessas de bastidor se tornem realidade.

A perda do centro de pesquisa para o Rio de Janeiro é um golpe simbólico e estratégico para a Bahia. Embora a fábrica em Camaçari represente um passo importante na retomada industrial, a ausência de um núcleo de inovação tira do estado o protagonismo tecnológico que poderia impulsionar sua mão de obra qualificada e atrair novos investimentos de base científica.

A gestão estadual apostou na palavra da montadora e fez da promessa um trunfo político. Agora, resta administrar o constrangimento. Enquanto o Rio consolida sua imagem de polo de tecnologia e mobilidade verde, a Bahia, que sonhava com o “Vale do Silício do Nordeste”, volta à dura realidade de depender mais da montagem do que da mente.

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