Boicote da Direita impulsiona reação no mercado e esgota estoque de Havaianas em loja de SC
A reação de consumidores alinhados à direita conservadora ganhou força nos últimos dias e gerou impactos diretos no comércio e no mercado financeiro após a veiculação de um comercial da Havaianas estrelado pela atriz Fernanda Torres. Em Brusque, no Vale do Itajaí (SC), uma loja de calçados esgotou todo o estoque da marca em poucas horas ao vender os chinelos por apenas R$ 1, em meio a um boicote organizado contra a empresa.
A mobilização teve início após a divulgação da campanha publicitária em que a atriz afirma não querer que os brasileiros comecem 2026 “com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”. A frase foi interpretada por políticos, influenciadores e eleitores de direita como uma mensagem política velada, reforçando a percepção de alinhamento ideológico da marca a pautas progressistas.
Nas redes sociais, a ação da loja catarinense ganhou repercussão. Após zerar o estoque de Havaianas, o estabelecimento passou a divulgar produtos de marcas concorrentes, com uma mensagem direta ao público: “Comece 2026 com o Pé Direito! Trabalhamos com chinelos adultos e infantis de diversas marcas”. A publicação foi amplamente compartilhada como símbolo de resistência ao que consumidores classificaram como “militância disfarçada de publicidade”.
A polêmica também alcançou o meio político. Entre os dias 21 e 22 de dezembro, lideranças da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL), criticaram publicamente a campanha, atribuindo às Havaianas uma postura ideológica incompatível com parte significativa de seus consumidores.
Os reflexos chegaram ao mercado financeiro. Na segunda-feira (22), as ações da Alpargatas, empresa controladora da Havaianas, recuaram 2,4%, sendo negociadas a R$ 11,44. A queda representou uma perda estimada de R$ 152 milhões em valor de mercado, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. No mesmo dia, o Ibovespa registrou leve baixa de 0,21%.
Enquanto isso, a concorrente direta da Havaianas, a marca Ipanema, viu sua popularidade disparar. Entre o sábado (20) e a segunda-feira (22), o perfil da empresa no Instagram saltou de cerca de 510 mil para aproximadamente 1 milhão de seguidores — um crescimento superior a 490 mil novos usuários, de acordo com dados da plataforma InsTrack. Grande parte das interações foi marcada por declarações de consumidores afirmando que pretendem trocar de marca como forma de protesto.
Até a noite desta terça-feira (23), a Ipanema não havia se pronunciado oficialmente sobre o aumento repentino de seguidores nem anunciado qualquer ação relacionada à controvérsia envolvendo a concorrente.
O episódio reforça um cenário cada vez mais presente no Brasil: marcas que adotam discursos considerados ideológicos passam a enfrentar reações organizadas de consumidores que rejeitam a politização da publicidade e defendem a neutralidade empresarial como princípio básico de respeito ao público.

