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Bahia despeja 780 milhões de litros de esgoto por dia em rios e praias

A Bahia enfrenta um grave problema ambiental e de saúde pública com o despejo diário de 780 milhões de litros de esgoto sem tratamento em rios, córregos e praias do estado. O dado faz parte de um levantamento do Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria EX ANTE, que analisa a situação do saneamento básico no país.

De acordo com uma matéria do jornal Correio da Bahia, o volume equivale a cerca de 52,5 litros de esgoto lançados por habitante todos os dias, cenário que ajuda a explicar o elevado número de pontos impróprios para banho no litoral baiano e o avanço de doenças relacionadas à falta de saneamento.

O estudo aponta que 58,4% da população baiana ainda não tem acesso à rede geral de esgotamento sanitário, índice superior à média nacional, que é de 44,8%. Além disso, cerca de 2,85 milhões de pessoas no estado vivem sem acesso à água tratada, o equivalente a 19,2% da população.

Os impactos são sentidos diretamente nas praias. Dados do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) indicam que 110 pontos de banho estão impróprios em todo o estado, com destaque para Salvador, onde apenas uma praia foi considerada adequada para banho em boletim recente.

Especialistas alertam que a situação ultrapassa o limite de regeneração da natureza. Segundo o Instituto Trata Brasil, o lançamento contínuo de esgoto sem tratamento impede a depuração natural das águas, aumentando a contaminação por microrganismos e ampliando os riscos à saúde da população.

O problema também evidencia desigualdades regionais. Enquanto Salvador apresenta índice de tratamento de esgoto acima da média estadual, municípios como Irecê, Paulo Afonso e Feira de Santana registram cobertura inferior a 30%, agravando a poluição de rios e mananciais locais.

Apesar de avanços pontuais nas últimas décadas, especialistas ressaltam que o ritmo atual é insuficiente para cumprir o Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização dos serviços até 2040. O estudo estima que a ampliação do saneamento na Bahia poderia gerar até R$ 90 bilhões em benefícios econômicos, especialmente para o turismo, um dos setores mais prejudicados pela poluição ambiental.

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